Meu Verão na Provença

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07 de julho de 2015

O filme “Meu Verão na Provença”, de Rose Bosch, parte de um princípio narrativo pouco original ― um trio de irmãos criados na cidade (composto por um menino, um rapaz e uma moça adolescentes) é forçado a passar as férias na casa interiorana do avô ausente durante a separação dos pais. Os mais velhos, atrelados ao universo tecnológico sempre disponível em Paris, protestam diante da ideia de passar um período na região. Em tempos de interação humana via telas de celular ou computador, como sobreviver em um lugar onde o sinal de internet é praticamente nulo? Diante das previsibilidades que o filme reserva ― é claro que os jovens vão descobrir as singelas vantagens da vida no campo ― o personagem Théo (Lukas Pelissier), o irmãozinho dos adolescentes “rebeldes” Léa (Chloé Jouannet) e Adrien (Hugo Dessioux), protagoniza um início de filme bem interessante. As cortinas de “Meu Verão na Provença” se abrem com a música “Sound of Silence” de Simon & Garfunkel. Introdução feita com base em boa música que muito condiz com a condição de Théo, o primeiro personagem a dar as caras ― surdo-mudo, sem direito a reclamações verbais, a ele cabe ficar com o som do silêncio e o dom da observação.

Ator renomado, Jean Reno interpreta o avô Paul, parente que os netos não reconhecem em virtude de anos de distância. Irène (Anna Galiena), avó dos meninos e paciente esposa de Paul, é mediadora dos conflitos entre os novos hóspedes e o dono da propriedade. Os desentendimentos, movidos pelo abismo que separa os hábitos rústicos dos contemporâneos, são condições indispensáveis para tensionar as relações até que tudo acabe bem. Não tardará e Paul mostrará o seu valor, qualidade que os descendentes, Théo em especial, saberão reconhecer. Distantes de Paris por uns bons quilômetros, Léa e Adrien resolvem desfrutar dos prazeres provincianos por meio dos namoricos de verão. A moça se envolve com um pizzaiolo de beleza quente, em comparação com os pálidos garotos de Paris, tão rápido que soa pouco crível. Já o rapaz banca o galanteador, em carapaça artificial para o ator que a veste, em romances igualmente fervorosos com estrangeiras.

Uma das maiores dificuldades dos jovens em geral diz respeito à incompreensão de que os mais velhos já foram novos um dia. “Meu Verão na Provença” faz questão de sublinhar tal afirmativa com o aparecimento de antigos amigos de Paul e Irène. Um grupo cheio de rugas e cabelos brancos ainda estimulados pela filosofia hippie que um dia pulsou em Woodstock. É com o surgimento desses desconhecidos que a percepção de Léa e Adrien começa a mudar. A partir daí, com direito a um ato de heroísmo de Paul na última parte do percurso, o filme começa a rumar para um final feliz pouco memorável, coroado pelo paraíso pop da banda Coldplay na trilha sonora.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3