Minha Querida Dama

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19 de junho de 2015

Autor de mais de 70 peças, o dramaturgo Israel Horovitz faz sua estréia no cinema adaptando um texto de sua própria autoria, encenado com sucesso no circuito off Broadway. Na trama de Minha Querida Dama (My Old Lady, 2014), Mathias Gold (Kevin Kline) é um ex alcoólatra de 57 anos que chega à Paris sabendo que herdou um magnífico apartamento do seu falecido pai. Quando chega ao espaço é recebido por Mathilde Girard (Maggie Smith) uma anciã de 92 anos que lhe revela que devido a um complicado contrato usado na França, conhecido como Viager, ele será obrigado a pagar um aluguel mensal até sua morte. Tentando resolver o problema, Mathias trava uma batalha pessoal para vender o imóvel e descobre que sua vida foi um grande equívoco.

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Contando com um trio de excelentes atores (Kline, Smith e Scott Thomas), Horovitz tenta retirar o ranço teatral acrescentando algumas doses de ação cinematográfica, embora se deixe levar pelos longos e contínuos diálogos. Aqui o que importa são os interessantes personagens que dão vida a uma trama melodramática embebida de traumas do passado, mas o que funcionou no teatro infelizmente perde-se na tela grande, pois a falta de um foco central e o roteiro esquemático aborrece o espectador ávido por um clímax que nunca chega. Esta história sobre três pessoas solitárias cheias de segredos e um imóvel sem dono não combina com o clima inicial de comédia poética que aos poucos vai cedendo espaço para uma trama agridoce sobre revelações e mágoas.

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Horovitz cumpre sua função de contar uma história que discute questões morais, mas deixa de lado as subtramas secundárias que tornariam tudo muito mais interessante. Apesar de espirituoso Minha Querida Dama (My Old Lady, 2014) não consegue disfarçar as deficiências de um roteiro essencialmente teatral.

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Minha Querida Dama (My Old Lady)

Reino Unido, França, Eua. 2014. 107 min.

Direção: Israel Horovitz

Com: Maggie Smith, Kevin Kline, Kristin Scott Thomas, Dominique Pinon

 

Avaliação Zeca Seabra

Nota 3