Mostra SP 2014: Marcelo Galvão fala de aplicativo para deficientes

O premiado A Despedida inova ao atender deficientes visuais e auditivos durante a exibição do filme no evento.

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18 de outubro de 2014

Estrelado por Nelson Xavier e Juliana Paes, A Despedida foi dirigido por Marcelo Galvão (Colegas) e exibido com audio-descrição no Festival de Gramado 2014, onde emocionou a plateia e tornou-se o grande vencedor. Agora, o cineasta vai apresentar seu filme na 38ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo com uma novidade e tanto: será exibido, neste sábado, 18, com um aplicativo de celular para auxiliar deficientes auditivos e visuais. O Almanaque Virtual já assistiu (leia a crítica) aproveitou a ocasião para bater um papo exclusivo com o diretor, que não esconde seu orgulho. Veja, abaixo, como foi a conversa e também o trailer! 😉

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Marcelo, conta pra gente como foi essa ideia nova, uma evolução do que foi visto em Gramado, neste ano, também com a Despedida.

Com o Colegas descobri um mundo fantástico ligado as pessoas com deficiências e vi ali um grupo sedento por cultura, mas ignorado pelo sistema mecânico de exibição. Quantos filmes são feitos por ano sem recursos acessíveis? Quanto custa ter essa acessibilidade? São valores ínfimos comparados a produção de um filme e comparado ao aumento de bilheteria que esse público esquecido pode gerar. O grande problema era a logística, porque para levar a acessibilidade para o cinema dependia muito de uma estrutura cara: legendas eletrônicas nas salas, uma cabine de audio-descrição, além de diversos fones e rádios para o público deficiente. Ou seja, uma estrutura impossível de ser implementada no dia a dia.

Fiquei durante muito tempo pensando na importância de desenvolver um aplicativo de celular que tivesse esses recursos acessíveis e, através do seu aparelho, deficientes auditivos e visuais pudessem assistir as exibições feitas para o grande público. Esse ano para minha alegria e através da Iguale vou projetar A Despedida com um aplicativo assim, o MovieReading.

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Cena de A Despedida

Ele pegou a plateia do Festival de Gramado de surpresa, emocionando muita gente com a história do Almirante. E acabou saindo de lá como grande vencedor e quatro troféus Kikito para a prateleira. Esse tipo de reação era esperada por você desde o começo ou isso ficou mais claro no corte final?

Eu nunca pensei que A Despedida fosse um filme de público. Sempre achei que era mais intimista, que dialogava com poucos. Com o passar do tempo de maturação dos cortes e pela reação das pessoas que estavam vendo ele ficar pronto, comecei a perceber que eu estava contando uma história universal, sobre o amor pela vida e o medo de envelhecermos. Por isso fiquei muito feliz quando tive aquela receptividade do público em Gramado.

E agora na Mostra Brasil, passando aqui em São Paulo, em um dos mais importantes evento de cinema do Brasil. É diferente para você, tem algum sabor especial?

Sim, adoro a Mostra e tenho um carinho muito especial por esse festival. Foi aqui que eu me consagrei com o meu primeiro trabalho, o Quarta B (2005). Além disso, este é o único festival que consigo fazer com que a maior parte da equipe assista o trabalho na tela grande.

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Marcelo Galvão com Juliana Paes, no set de A Despedida

A estratégia de correr festivais costuma ser usada por muitos cineastas, mas seus filmes, mesmo fazendo isso, têm mostrado potencial para atrair público. Com Colegas foi assim, não? Tem alguma previsão para estrear A Despedida ou ele já está escalado para outro evento?

Procuro fazer um filme que tenha algo a dizer e sobre assuntos pertinentes a todos nós, talvez por isso o público se interesse em ouvir as minhas histórias. Os festivais são muito importantes para a projeção, principalmente, para aqueles que não têm muito dinheiro para a divulgação. A mídia espontânea gerada é fundamental para os filmes independentes. Ainda em 2014, iremos passar A Despedida em festivais na Argentina, Índia, Itália e Alemanha.

Inspirado em seu avô, ele não é o primeiro que você faz baseado em suas histórias de vida. Foi assim também com Colegas (2012), igualmente premiado em Gramado. É uma escolha sua, é mais fácil filmar algo que tenha a ver com você ou somente uma coincidência?

Nelson Xaivier, em A Despedida

Nelson Xavier, em cena

Acho que sempre é mais fácil contar uma história sobre aquilo que a gente conhece ou já tenha vivido. É claro que tenho roteiros sem nenhuma relação direta com as minhas histórias de vida e para isso procura estudar bastante o assunto para poder falar com propriedade. Porém, por mais que a fio condutor não esteja ligado diretamente a minha história, sempre haverá em algum canto, ou personagem secundário, um pouco do diretor.

Quando encontrei você em Cannes, neste ano, você falou sobre O Matador, um de seus próximos projetos. O que você pode falar a mais sobre ele, em que pé está o roteiro, quando começa a rodar etc?

O Matador será o meu próximo filme, pretendo rodar no meio do ano que vem para lançar em 2016. Esse será com certeza meu maior filme, é um faroeste ambientado na década de 30, época do cangaço, interior do Brasil. Uma mega produção que será distribuída pela Paris Filmes.

Além dele, que vai ter Seu Jorge como protagonista, tem algum outro projeto engatilhado que você gostaria de revelar para os leitores do Almanaque Virtual?

Como tenho uma vontade enorme de contar histórias é bem provável que antes do Matador eu ainda faça um outro filme bem low budget (baixo orçamento), mas por enquanto são só hipóteses.

Programação
18/10 – 21h00 – Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1
21/10 – 21h45 – Cinecaixa Belas Artes – Sala SPCine
28/10 – 17h15 – Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 3

O Almanaque Virtual viajou a convite da 38ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo. Leia mais sobre a Mostra SP 2014 nos links abaixo:

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