Mostra SP 2014: Leia entrevista exclusiva com Manoel de Oliveira

Cineasta centenário conversou com a gente sobre O Velho do Restelo, que estreia nesta quarta-feira.

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22 de outubro de 2014

O velho do resteloQuando anunciou a produção de O Velho do Restelo, baseado na lírica de Luís de Camões, há um ano, o centenário deus do cinema português, Manoel Candido Pinto de Oliveira, declarou: “Não importa sua metragem. Será um filme de fôlego”. Sua promessa foi cumprida, a julgar pelo material de 19 minutos que será exibido nesta quarta-feira, às 20h, no Espaço Itaú Frei Caneca 2, na programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (em uma sessão dupla com o longa documental Alentejo, Alentejo). O trabalho mais recente do realizador de obras-primas como O Princípio da Incerteza (2002) contempla a história da Literatura de seu Portugal ao unir quatro dos maiores escritores e poetas do país: Don Quixote, Luís de Camões, Camilo Castelo Branco e Teixeira de Pascoaes numa trama ficcional.

manoel-de-oliveira“Sempre soube dirigir bem carros. Fui piloto, corri em competições. Era bom. Dirigir filmes… isto já não sei se faço bem… Mas estou a fazer. Estou a fazer filmes há uns bons anos e muito do que levo para o cinema nasce de uma reflexão generosa, de aprendiz, que faço da literatura. Tudo nesta vida que levamos tem uma duração estabelecida, um momento para acabar, incluindo os valores monetários, menos as histórias que contamos. As histórias que os livros nos contam duram para sempre e o mesmo espero das histórias trazidas pelo cinema”, disse o diretor em entrevista exclusiva ao Almanaque Virtual no início deste ano, quando O Velho do Restelo estava em produção.

No curta, Quixote (Ricardo Trêpa, neto do cineasta) é recebido por Camões (Luís Miguel Cintra) para uma conversa que acaba rondando infortúnios afetivos de Camilo (Mário Barroso), autor de “Amor de perdição”. Os relatos são acentuados pelas tiradas por vezes ácidas, quase mórbidas de Teixeira de Pascoes (Diogo Dória). Para narrar o pano de fundo da troca de ideias entre eles, Manoel recorre a imagens de arquivo de seus próprios filmes e leva os cinéfilos às lágrimas ao resgatar cenas do longa soviético Don Quixote (1957), de Grigori Kozintsev.

“Hoje, depois de muitas décadas, já percebo que a minha vocação nesta vida é dirigir filmes. E meus filmes falam sobre valores que vão além do dinheiro. Meu filme busca saber se existe alma. O tempo… O tempo eu sei que existe. E talvez eu filme como filmo para contemplar o tempo”, diz Manoel, hoje com 105 anos. “O cinema nos dá a possibilidade de, a partir da câmera, repor a vida além da Morte e simular a ressurreição, inclusive a dos grandes heróis da literatura”, completou.

O Almanaque Virtual viajou a convite da 38ª Mostra Internacional de Cinema São Paulo.

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