Neruda – Fugitivo

Filme de Manuel Basoalto retrata o primeiro período de exílio do poeta chileno

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10 de julho de 2015

Após dirigir dois documentários sobre o poeta chileno Pablo Neruda – “Neruda, a morte de um poeta” (2003) e “Diário de um fugitivo” (2007) –, Manuel Basoalto realiza um longa biográfico que se passa em 1948, no período em que Neruda (José Secall) viveu como fugitivo político. Depois recitar o seu discurso “Eu Acuso” contra o presidente Gabriel González Videla (Max Corvalán), Neruda, então Senador da República, passou a ser perseguido, teve de se esconder durante 13 meses, adquirir uma nova identidade e atravessar a Cordilheira dos Andes até a Argentina. Foi neste período de reclusão que a inspiração do poeta aflorou e ele escreveu o “Canto General”, sua obra mais importante.

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O filme é aberto pela cena em que Neruda faz o discurso de agradecimento depois receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1971. Diferente de “O Carteiro e o Poeta” (1994), de Michael Radford, que romantiza o período em que o poeta ficou exilado na Itália, “Neruda – Fugitivo” procura retratar de maneira mais realista a época de exílio no Chile e na Argentina. Durante o processo de fuga, é apresentado ao público um Neruda mais humano, apaixonado pela esposa e pela escrita, isolado em seus pensamentos, mas deixando a desejar na característica melancólica que a situação exigia. Fatigantes cenas de reuniões e conversas entre amigos do poeta para decidir os seus destinos de fuga se intercalam a outras que tentam revelar um Neruda reflexivo e ansioso com a sua condição. Através de flashbacks à infância e adolescência de Neruda, Basoalto mostra rapidamente sua ligação com a natureza e seu interesse intrínseco pela poesia. “Poesia, política e vida são a mesma coisa”, diz o poeta em dado momento da película.

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Escrito e dirigido por Basoalto, “Neruda” (no original) é detentor de uma fotografia parecida com a de filmes televisivos da década de 90 e de uma trilha sonora cansativa, exagerada numa emotividade incompatível com os instantes em que é introduzida. Com um roteiro que não se aprofunda nos sentimentos dos personagens, a poesia do filme fica restrita às citações de Neruda e à beleza de algumas paisagens. De poética, a trama não tem nada; é um tanto cansativa e não muito envolvente. “Neruda – Fugitivo” pode decepcionar os fãs e cinéfilos pela falta de profundidade, mas é um longa válido para quem deseja conhecer um pouco mais da vida do poeta.

 

Neruda – Fugitivo (Neruda)

Chile – 2014. 100 minutos.

Direção: Manuel Basoalto

Com: José Secall, Paulina Harrington, Max Corvalán, Nelson Brodt, Catalina Saavedra, Erto Pantoja e Sergio Madrid.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3