O Apocalipse

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22 de outubro de 2014

2014 tem sido um ano bastante lucrativo para Hollywood. Desde que foi descoberto o potencial no nicho cristão, carente de bons filmes voltados para o tema (apenas com a opção de assistir na televisão alguns poucos de má qualidade na Páscoa e no Natal), diversas produções bíblicas – a exemplo de “Noé”, “O Filho de Deus” e “O Céu é de Verdade” – já foram lançadas este ano e faturaram muitos milhões somente nos Estados Unidos, seu país de origem. E não vai parar por aí: estão previstos para estrear ainda neste Natal os longas “Êxodo” e “Maria, Mãe de Cristo”. Devido ao sucesso entre o público-alvo, a tendência é o surgimento cada vez maior de filmes envolvendo a temática; podemos esperar grandes produções do gênero para 2015.

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Nicolas Cage, ator afamado por fazer más escolhas de papéis em sua carreira, embarca em mais uma furada ao protagonizar o remake do filme religioso “Deixados Para Trás” (2000), de Vic Sarin. Baseado na série de livros best-seller “Deixados Para Trás” (Left Behind), do reverendo Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins, “O Apocalipse” tem seu foco voltado para o Arrebatamento dos cristãos e o nascimento do Anticristo. Sob a direção de Vic Armstrong (“Fuga Mortal”, 1993), coordenador de dublês e dublê de filmes de ação e aventura (mais conhecido por Indiana Jones), não é difícil compreender que “Left Behind” (no original) tenha se tornado acima de tudo um filme de ação, embora não tenha deixado de lado a essência cristã. Após o misterioso desaparecimento de milhões de pessoas ao redor do mundo e a instalação repentina do caos, a história gira em torno do piloto de avião Ray Steele (Nicolas Cage), de sua filha Chloe (Cassi Thomson) e do jornalista investigativo Cameron “Buck” Williams (Chad Michael Murray), que tentam entender o que aconteceu e salvar quem permaneceu na Terra.

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O caminho para os não-cristãos restantes conseguirem encontrar respostas para a estranha situação dura praticamente a película inteira, tendo como primeiras teorias para o que fez com que todas as crianças e somente alguns adultos tenham sumido a abdução alienígena, a invisibilidade e o buraco de minhoca. Quando Ray começa a perceber que o fim dos dias pode realmente estar próximo, ele começa a encontrar pistas que levam à profecia bíblica, sendo a principal delas a inscrição João 3:16 no relógio de seu copiloto que sumiu. É aí que ele começa a acreditar no que sua esposa recém-convertida não parava de repetir.

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O enredo do segundo longa de Armstrong foi milimetricamente construído para que tudo dê certo no final apesar dos percalços e para que todos passem a acreditar que Deus é a única salvação e tornem-se cristãos. O grande problema é que o roteiro de Paul Lalonde e John Patus possui caráter altamente tendencioso, preconceituoso e um traço machista, pois a maioria dos cristãos arrebatados são homens (quando, na realidade, o número mundial de crentes é majoritariamente do sexo feminino) e certos casos mostrados na trama são absurdos, como um casal de idosos cujo marido foi levado e a esposa com Alzheimer ficou sozinha e desorientada em seu assento, e um mulçumano que propôs uma reza laica coletiva no avião em estado de pânico, mas que não foi arrebatado por não ser cristão. Sem surpresas, já que o roteiro foi adaptado de um livro escrito por um pastor, mas ainda assim não deixa de ser um acinte. Com atuações que vão de medíocres a péssimas do elenco inteiro, diversas forçações de barra religiosas e muitos problemas além, o único ponto positivo dos 110 maçantes minutos de filme é uma crítica feita através do pastor da igreja local sobre crer no que se prega. Por ser totalmente orientado a evangélicos e deixar claro em seu desfecho que haverá continuação, “O Apocalipse” será o Céu para o público cristão, e o Inferno para aqueles que não compartilham de suas crenças.

 

O Apocalipse (Left Behind)

EUA – 2014. 110 minutos.

Direção: Vic Armstrong

Com: Chad Michael Murray, Nicolas Cage, Cassi Thomson e Nicky Whelan.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 1