O Fim de Uma Era

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12 de junho de 2015

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“O Fim de Uma Era” é muito mais do que os significados a que seu título alude. É o desfecho da trilogia da Operação Sonia Silk, projeto de baixo orçamento realizado em duas semanas em colaboração dos diretores Bruno Safadi e Ricardo Pretti. O primeiro tendo dirigido “O Uivo da Gaita” e o segundo “O Rio nos Pertence”. E agora este último dirigido pelos dois cineastas. Pois “O Fim de Uma Era” não só é mesmo o fim desse intento desvairado de se fazer cinema suado, sem recursos, pelo bem da arte e da liberdade de interpretação do público, como é o fim de uma linguagem narrativa pré-estabelecida: o é poesia pura em forma de longa metragem.
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Na teoria, após realizarem os dois filmes iniciais, e sem mais ter orçamento para o terceiro contratado, os diretores solicitaram que as câmeras se voltassem para os bastidores das gravações, tanto para equipe técnica em seus momentos de descanso, quanto as atrizes Leandra Leal, Mariana Ximenes, ainda mais belas e profundas em olhares e gestos compenetrados entre momentos fugazes de filmagem. E a isso se despiram as cores numa estonteante fotografia em preto e branco, acrescentoundo também uma inspirada trilha sonora e narração em of de textos líricos e abstratos sobre o amor de diversos pontos de vista. Do ponto de vista de um cineasta aposentado ainda apaixonado pela sua musa e agora pela filha dela (metáfora direta à referência do projeto, que passa adiante a tocha levantada pela produtora Belair e filmes como “Copacabana Mon Amour”), a histórias de abandono ou lembranças eternas, todos narrados na voz de atores que trabalharam nos filmes da Belair: Fernando Eiras, Helena Ignez, Maria Gladys e Otávio Terceiro. Inspirações em inúmeros filmes clássicos, como o eterno “Casablanca”, para contar pedações de um quebra-cabeça apaixonado. Esta semântica das dores do amor vai subindo num crescendo tal qual a divisão em capítulos, denominados interlúdios, rascunhos, prólogo, e etc…, dando um charme a mais de como se estivéssemos abrindo um livro muito antigo que resguarda algum segredo transcendental.

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Por causa desta essência grandiosa, o filme é mais do que uma simples crônica de bastidores, e sim uma tomada única das razões que se fundamentam por trás das interpretações, tanto de quem está atrás quanto na frente das câmeras, numa ode ao amor por filmar filmes, coroando com chave de ouro o próprio intento metalinguístico de se ingressar num projeto como a Operação Sonia Silk.

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 5