O Gorila

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11 de junho de 2015

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Em 2012, José Eduardo Belmonte realizou dois longas metragens. O besteirol “Billi Pig”, que naufragou nas bilheterias e foi mal recebido pelos críticos e “O Gorila”, adaptação do conto homônimo de Sérgio Sant’anna, que chega ao circuito brasileiro com três anos de atraso.

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Apresentado no Festival do Rio 2012, o filme conta a história de Afrânio (Otávio Müller), um ex-dublador solitário e atormentado por lembranças de  infância . Dono de uma voz rouca e sensual, seu principal passatempo é passar trotes para mulheres desconhecidas e apresentar-se como o Gorila, uma espécie de alter ego que reproduz as fantasias de seu inconsciente.

Na noite de Natal, Afrânio se torna vítima de um misterioso telefonema e se vê obrigado a enfrentar o mundo exterior para impedir um suicídio.

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Com uma trama complexa e uma estética noir impregnada de estilos visuais (com muitas referencias aos filmes de David Lynch, em especial Veludo Azul de 1986) esta crônica cínica e absurda sobre um homem estranhamente perturbado é um trabalho muito mais consistente que os filmes anteriores de Belmonte (especialmente Billi Pig), mas ainda sofre pela falta de conexão entre o óbvio e o sutil. As mensagens sobre a solitude humana (que é diferente de solidão) exploram associações que passam despercebidas pelo espectador que desiste de acompanhar a tensa jornada de Afrânio e as belas mulheres que cruzam seu caminho.

 

A narrativa é plasticamente bem enfeitada, mas o conteúdo sofre bastante pelo excesso de subtextos psicológicos e analíticos que não levam a lugar nenhum. Obviamente, trata-se de uma obra de cunho autoral com várias camadas e abordagens, mas a intenção é tão pretensiosa que fica no meio do caminho.

Misturando suspense, drama psicológico e crimes sem solução (embalado pela sinfonia de Gustav Mahler), O Gorila é apenas um conjunto de imagens arquitetônicas que testemunham o infortúnio de um anti herói sem quase nenhuma identidade. É promissor, mas infelizmente não cumpre sua função.

 

Prèmiere Brasil – Competição Longa Ficção – Festival do Rio 2012

 

O Gorila

Brasil, 2012. 90 min.

Direção: José Eduardo Belmonte

Com: Otávio Müller, Alessandra Negrini, Mariana Ximenes, Luiza Mariani, Milhem Cortaz

 

Avaliação Zeca Seabra

Nota 2