O Natal dos Coopers

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04 de dezembro de 2015

As festas de fim de ano, especialmente o Natal, carregam uma imagem de felicidade coletiva, composta por familiares e/ou amigos reunidos em celebração. O filme de Jessie Nelson, “O Natal dos Coopers”, faz uso dessa tradição da união na noite natalina, mas a felicidade e a satisfação, sensações comumente associadas ao período, parecem estados de espírito distantes em virtude dos problemas pessoais dos personagens. O longa de Nelson, apesar de toda a típica estrutura comercial, permite-se um pouco de densidade por meio de uma questão essencial: é possível, como em um passe de mágica, tirar a alegria da cartola para então comemorar a “noite feliz” de Natal? Após passagens que surpreendem e agradam, sem abrir mão de obviedades e das situações de comédia pueril, os personagens de “O Natal dos Coopers” enfim conseguem encontrar uma resposta para tal pergunta.

O encontro de fim de ano da família Cooper é o mais exagerado possível. São quatro gerações concentradas em um só lugar − o lar do casal Charlotte (Diane Keaton) e Sam Cooper (John Goodman). São inúmeros os personagens que desfilam na tela, cada um com uma adversidade bem específica. Charlotte e Sam, constantemente confrontados pela nostalgia de um passado de juventude e paixão, lutam contra a comodidade no casamento. O pai de Charlotte, Bucky (Alan Arkin), é um senhor que alimenta um amor platônico pela jovem Ruby (Amanda Seyfried), uma atendente de lanchonete desprivilegiada por traumas familiares. Hank (Ed Helms) e Eleanor (Olivia Wilde) são irmãos, filhos de Charlotte e Sam. Ele está desgastado por discordâncias com a ex-mulher (Alex Borstein), ela é uma moça de personalidade forte que não aguenta as cobranças da família. No aeroporto, o destino a põe no caminho de Joe (Jake Lacy), militar que desafia o ceticismo de Eleanor com suas ideologias tradicionais. Marisa Tomei interpreta a irmã de Charlotte, Emma, que quase vai parar atrás das grades por ter tentado roubar um presente. Até o policial que cuida do caso, Williams (Anthony Mackie), tem os seus fantasmas para enfrentar ― a homossexualidade que não pode assumir. A embrulhada de personagens, falar de todos aqui seria desperdiçar linhas e testar a paciência do leitor, é uma hipérbole que pode cansar o espectador mais interessado em puro entretenimento, sem tantos dilemas para digerir.

Por mais que o tom tristonho de “O Natal dos Coopers” irrite o público condicionado a alegrias artificiais, no cinema, a opção pela abordagem nem tão animada, dentro desse mesmo tema comemorativo, está longe de ser novidade. Quem não se lembra do icônico “A Felicidade Não Se Compra” (1946), de Frank Capra? Na trama natalina, o personagem de James Stewart tenta o suicídio, ação bem depressiva que atenua as infelicidades dos personagens de “O Natal dos Coopers”. Para o alívio do leitor que espera por paz, sossego e alegria nos últimos dias do ano, vale destacar que tudo acaba bem, em ambos os filmes. Para fechar com saldo positivo, o longa contemporâneo chega ao desfecho com uma grata surpresa − a revelação da importância de um específico integrante da família Cooper, mais especial do que parecia ser.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3