Ouro, Suor e Lágrimas

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06 de agosto de 2015

Nos noticiários, pululam reportagens a respeito da preparação do Rio de Janeiro para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Em um cenário de otimismo, mas onde as preocupações não podem ser ignoradas, vide a escandalosa poluição da Baía de Guanabara destacada na imprensa, chega aos cinemas “Ouro, Suor e Lágrimas”, espécie de aperitivo olímpico dirigido pela estreante Helena Sroulevich. No documentário, a cineasta pretende, com lentes de fascínio, analisar a década mais eficiente (2002 – 2012) do vôlei de quadra brasileiro. Dedicando-se a um esporte que chega a empolgar, mas não ocupa o mesmo espaço do futebol no coração do brasileiro, o filme prefere o formato didático, incrementado pelo viés emocional, para fisgar a empatia de um público composto por leigos e entusiastas.

De acordo com a modelagem do material apresentado na telona, bem alimentado por imagens de arquivo, Helena Sroulevich não quer esconder de ninguém que seu documentário é produto de uma grande paixão. Mesmo que seja impossível para o espectador questionar a veracidade de toda aquela preparação (um calvário cheio de esforços e abdicações) em busca da invencibilidade, é óbvio que “Ouro, Suor e Lágrimas” é fruto da idealização típica dos amantes. Justo o que acontece com a cineasta Helena − ama tanto o esporte que o floreia com altas cargas de emoção no apanhado documental, influenciando a visão do outro que provavelmente nunca mais verá uma partida com os mesmos olhos. Tal sensação despertada até parece proposital, já que a estreia do filme foi marcada para acontecer a um ano do início das Olimpíadas no Rio. Em 2016, se os jogadores de vôlei forem agraciados com a medalha de ouro ao redor do pescoço, quem pagou para ver “Ouro, Suor e Lágrimas” terá ampliada a admiração pela vitória dos atletas.

Com a análise opaca em virtude do entusiasmo, a diretora priva-se do olhar microscópico ideal para lançar luz em circunstâncias que envolvem polêmica. Como resultado disso, controvérsias como a dispensa do levantador Ricardinho e a conturbada relação entre os técnicos Bernardinho e Zé Roberto, das seleções masculina e feminina, recebem tratamento apenas superficial. Uma deficiência que torna ainda mais incontestável essa opção de idealização; isso sem levar em conta o apoio da própria Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), patrocínio que deve ter intimidado a investigação mais contundente. Durante a projeção, um sintoma incurável da torcida brasileira em geral surge por meio de manchetes que traduziam um sentimento nacional na época, rotulando as meninas do vôlei, vencidas nas retas finais de campeonatos, de “amarelonas”. Em solo verde e amarelo, é comum valorizar a vitória em detrimento da disciplina e do aprendizado proporcionado pela derrota. O ato de invalidar os esforços das jogadoras, após as desvantagens nas decisões, deixa claro que o torcedor brasileiro gosta mesmo é de ganhar, desprezando o privilégio da competição.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3