Para Sempre Alice

Julianne Moore dá vida a uma mulher bem sucedida com um tipo raro de Mal de Alzheimer precoce

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11 de março de 2015

“Para Sempre Alice” é principiado pela comemoração descontraída do aniversário de 50 anos da personagem-título com sua família. Momento feliz que Alice Howland (brilhantemente interpretada por Julianne Moore) percebe ser efêmero ao descobrir ser portadora de um tipo raro, de origem genética, do Mal de Alzheimer. É a partir daí, então, que se inicia a ruína do mundo de Alice, uma renomada professora de linguística, uma bela mãe de três filhos, com um ótimo casamento. Primeiro, ela começa a esquecer palavras, depois a se perder na rua e até mesmo dentro da própria casa. A mulher inteligente, segura e bem sucedida dá lugar a uma mulher frágil e dependente, que convive com o medo diário de deixar cada vez mais as memórias importantes de sua vida se esvaírem. É o medo do inevitável, que o Alzheimer precoce lhe proporciona rapidamente.

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Adaptação do romance homônimo de Lisa Genova, “Still Alice” (no original) percorre o sofrimento de uma pessoa que padece de Alzheimer, e também os efeitos que a doença tem na vida das pessoas que as rodeiam. Em dado momento do filme, Alice compara a sua doença ao poema “A arte de perder”, de Elisabeth Bishop, em discurso numa associação de apoio a portadores de Alzheimer. A arte maior presente na película é a interpretação visceral de Julianne Moore, que se entregou completamente ao papel. Assim como Cate Blanchett rouba todas as cenas com sua desequilibrada Jasmine em “Blue Jasmine” (Woody Allen), a Alice de Moore é o eixo da trama e da câmera dos diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland (“Meus Quinze Anos”), que também assinam o roteiro do filme, ganhando um cenário desfocado nas cenas de perda – seja de memória ou de controle sobre sua existência. Ainda que suas patologias sejam bastante distintas, tanto Jasmine quanto Alice perdem o domínio sobre si mesmas diante de seus olhos, e veem o declínio de suas vidas e as consequências na vida de pessoas próximas.

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Não à toa, ambas as atrizes venceram o Globo de Ouro, o BAFTA, o SAG Awards e o Oscar de Melhor Atriz, entre outros prêmios, por suas poderosas atuações. Coincidentemente (ou não), Alec Baldwin repete no longa de Glatzer e Westmoreland o papel de marido da protagonista, como fez antes no filme de Allen. Os três filhos do casal Howland – Lydia, Anna e Tom –, vividos, respectivamente, por Kristen Stewart (“Acima das Nuvens”), Kate Bosworth (“Superman – O Retorno”) e Hunter Parrish (“Simplesmente Complicado”), completam o elenco com suas interpretações competentes.

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Sustentado pela incrível performance de Moore, “Para Sempre Alice” é um drama feito para emocionar o público. Por abordar um tema que mostra a decadência da mente e a fragilidade humana diante dos infortúnios da vida, a trama poderia ter sido melhor explorada e aprofundada por Glatzer e Westmoreland. Ainda assim, “Para Sempre Alice” consegue gerar identificação, envolver e comover o espectador em seus 101 minutos de projeção.

 

 

Para Sempre Alice (Still Alice)

EUA – 2014. 102 minutos.

Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland

Com: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart, Kate Bosworth e Hunter Parrish.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4