Pássaro Branco na Nevasca

Shailene Woodley da saga Divergente e de A Culpa é das Estrelas mostra que amadureceu

por

26 de abril de 2015

Screenshot_2015-04-25-02-16-42-1

As franquias de adaptações de livros infanto-juvenis que começaram desde a década passada já foram responsáveis por lançar a carreira de vários novos artistas, como Harry Potter, Crepúsculo e, mais recentemente, a série “Divergente”, e sua protagonista Shailene Woodley. Logo depois ela ainda seguiu com mais uma adaptação literária de sucesso para os jovens de todas as idades, com o drama “A Culpa é das Estrelas”, acompanhada de outro colega de “Divergente”, Ansel Elgort. O sucesso foi tanto, que a receita de bolo anda sendo seguida à risca, e para mostrar para o público que a menina está crescendo junto com seus leitores, Shailene decidiu ingressar na adaptação de um romance um pouco mais adulto, de Laura Kasischkle. Um drama familiar sobre os caminhos para a fase adulta de uma jovem cuja mãe um belo dia desaparece, e só então ela avalia o mistério pregresso do que ela significou para si, quanto o mistério futuro do que aconteceu com ela.

Screenshot_2015-04-25-02-18-29-1

“Pássaro Branco na Nevasca” (“White Bird in a Blizzard” – 2014, de Gregg Araki) tinha tudo para virar cult. Em 1o lugar porque, assim como atores de Harry Potter e Crepúsculo, Shailene seguiu o mesmo caminho de querer mostrar seu amadurecimento nas telas, inclusive físico, desnudando a silhueta de forma adulta e complexa para as conturbações de sua personagem, o que decerto já atrairá fãs por si só. Porém mais do que isso, ela escolheu uma profundidade que pretendia-se quase tragicamente grega, ainda mais com o segredo que o filme resguarda para o final, infelizmente desperdiçado por seu diretor Gregg Araki que deixa a trama refém em banho maria à espera de uma grande revelação, que ao final não é tão grande assim. Com trabalho anteriores, como “Kaboom” e “Mistérios da Carne”, ele conseguiu chocar muito mais do que aqui, apesar de tentar desmistificar através de uma ídola teen o que seria a juventude transviada atual. Pior, desperdiça categoricamente a experiente e sensual colega de elenco, Eva Green como a mãe da protagonista, sem a química necessária entre as duas, levemente histriônica, e bipolar na tentativa de emular a esposa forçadamente perfeita que afoga o que signifique ser mulher até que o recalque imploda de volta para a família. Quase uma Jocasta que dá em cima do namorado da filha, distrata o pai, e bate de frente com Shailene unicamente por se ver destruída na juventude da menina.

Screenshot_2015-04-25-02-18-52-1

Para tentar resgatar um pouco do foco inicial, Araki ainda tenta acrescentar uma terapeuta para Shailene (na pele da subaproveitada Angela Basset), uma melhor amiga anticonvencional (na pele da geralmente boa, aqui apagada Gabourey Sidibey) e de um policial que investiga o desaparecimento de sua mãe (Thomas Jane) e a quem ela tenta seduzir, sem conseguir sensualizar a trama como o pretendido. No fim, parece que adormeceu o ponto da narrativa na intenção de sair do infanto-juvenil, e se prendeu justamente a ele, com um pouco menos de censura, mas apesar de interessante, todo o conjunto não conseguiu alçar os vôos ainda que os colegas da geração de Shailene andam conseguindo….
Screenshot_2015-04-25-02-15-24-1

Screenshot_2015-04-25-02-15-53-1

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3