Pequeno Dicionário Amoroso 2

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10 de setembro de 2015

Em edição revista e atualizada, sob a organização de Sandra Werneck e Mauro Farias, o pequeno dicionário amoroso lançado no final da década de 1990 ganha nova roupagem: a passagem do tempo. Em “Pequeno Dicionário Amoroso 2” a essência do primeiro filme permanece intocada − a sucessão de verbetes na tela para definir as diversas fases pelas quais passa um romance. Luiza (Andrea Beltrão) e Gabriel (Daniel Dantas), o casal separado no desenlace do primeiro filme, são os mesmos de sempre, a despeito das mudanças após 18 anos. Ambos tiveram a experiência de perpetuar a espécie e estão comprometidos com outros, mas o que os mantêm conectados com o passado é a procura constante, ainda que um pouco inconsciente, pela felicidade no amor. É por conta dessa busca que Luiza e Gabriel acabam convergindo ao mesmo ponto de encontro que os uniu no longa inaugural ― o cemitério, cenário irônico com seus términos irreversíveis, para alavancar a redescoberta.

Na continuação, existe a preocupação por parte do roteiro em ilustrar os diferentes espinhos românticos de gerações diversas ― desse modo, o espectador estabelece contato com a mãe de Luiza, Dona Sônia (Camilla Amado), que acabou de enterrar o companheiro, e com os jovens Pedro (Miguel Arraes) e Alice (Fernanda Vasconcellos), filhos de Luiza e Gabriel, respectivamente. A senhora Sônia, com seus delírios que tiram o sono da filha Luiza, mostra que não existe idade, ou sã consciência, para sonhar com o par perfeito. Pedro é o típico adolescente em fase de descobertas, que nas horas vagas, tenta engatar relacionamentos virtuais. Alice, a filha que Gabriel teve com a mística ex-mulher Bel (Gloria Pires ― seu papel ganha mais amplitude), é certamente a mais interessante do núcleo de novos personagens. É nela, adepta do amor livre sem padronização, que as definições mais tradicionais dos relacionamentos apaixonados caem por terra. As aventuras da Alice longe do país das maravilhas concedem ao filme, que tenta obstinadamente entender o amor com o auxílio da língua portuguesa, um sentido mais amplo.

Ao contrário de “Pequeno Dicionário Amoroso”, que optou por um caminho de narrativa mais alternativa, opção que fez o filme ganhar certo status cult, a produção sucessora aposta em pitadas de humor facilmente descartáveis, recurso que serve somente para torná-la mais palatável para o público em geral. Mais novas figuras, os personagens de Fernanda de Freitas, a libidinosa atual mulher de Gabriel, e do ator Eduardo Moscovis, um fotógrafo que promete mais cores ao ânimo de Luiza, poderiam ser ainda mais instigantes se fossem desenvolvidas com mais esmero. No entanto, os desvios do longa estão longe da gravidade. Ou melhor, são apenas orelhas nas páginas do dicionário amoroso, ainda boa ferramenta de consulta.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3