Pixels

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22 de julho de 2015

Existem atores que a simples menção de seu nome nos anúncios de divulgação já repele um público munido de opinião formada. Adam Sandler é um desses intérpretes estigmatizados, cuja carreira composta por comédias populares é sinônimo de habilidades limitadas. O banimento de blockbusters que pouco se lixam para questionamentos existenciais é uma utopia dos que só enxergam qualidade nos filmes de arte, de autor. Os exemplares do gênero, que continuam a levar milhões para a sala de cinema, precisam agora de originalidade para manter-se no pódio, surpreendendo um público que receberá mais do que aquilo que espera. A ironia é que logo o famigerado Adam Sandler assume a função de protagonista de um filme, sem vergonha de ser imoderadamente engraçado, que esbanja singularidade em seu argumento. Dirigido por Chris Columbus (de “Esqueceram de Mim” (1990) e “Uma Babá Quase Perfeita” (1993), comédias elevadas ao status de cult), “Pixels” reacende o interesse pelo contexto de fim de mundo, sem apelar para cheats (bons gamers entenderão). O segredo é manipular a memória na singularidade da trama, fazendo de antigos companheiros virtuais, como o rechonchudo e simpático Pac Man, vilões com potencial para acabar com a vida na Terra.

A vida de Brenner (Adam Sandler), um antigo fenômeno dos jogos de fliperama na década de 1980, não poderia ser mais medíocre ― trabalhando como instalador de aparelhos eletrônicos, vestido com seu constrangedor uniforme laranja, ele toca a vida sem a menor pretensão de grandeza. Já seu amigo Cooper (Kevin James), parceiro desde a juventude, foi catapultado à venerável posição de presidente dos Estados Unidos. Graças ao triunfo inusitado, o pobre Brenner tem acesso aos secretos cômodos da Casa Branca. É bom ressaltar que somente o espectador disposto a embarcar em uma viagem na maionese, de proporções interplanetárias, vai comprar de bom grado o entretenimento oferecido por “Pixels”. Sem limites para a criatividade no roteiro, a vida humana é posta em risco quando alienígenas interpretam imagens de arcade games como uma declaração de guerra. Em ação de represália, os seres desconhecidos do universo enviam seus soldados, personagens dos jogos, para reverter o planeta Terra em pó.

Na luta dos guerreiros de carne e osso contra os familiares inimigos de pixels, o filme de Columbus cede o título de heróis aos párias determinados pela sociedade. No governo americano comandado pelo gordinho desajeitado, são os viciados em games, os populares nerds, que se incumbem da honorária missão de salvar o mundo. No time de Brenner e Cooper, estão outros especialistas igualmente desajustados ― Ludlow (Josh Gad), um viciado em teorias conspiratórias, e Eddie (o versátil Peter Dinklage ― soberano tanto na comédia como na seriedade de Game of Thrones), o baixinho folgado que deixou a cadeia para redimir-se na batalha improvável. A musa de plantão, a tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan), é uma especialista que engole o orgulho intelectual para lutar ao lado dos soldados arcaders. Com referências à cultura pop, desde uma Madonna intergaláctica à presença relâmpago da apresentadora Martha Stewart, “Pixels” aposta no saudosismo da diversão de época. A homenagem à fase áurea do fliperama, mais calorosamente humana e não tão descartável como a tecnologia atual, diverte crianças e adultos em igual medida, independentemente da mudança de hábitos de geração para geração.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 5
  • Enoque Correa

    Ótima crítica, concordo em gênero, numero e grau.

    • Emmanuela Oliveira

      Obrigada pela visita!