Qualquer Gato Vira-Lata 2

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03 de junho de 2015

O principal motivador da continuidade de um filme como “Qualquer Gato Vira-Lata” (2011), de bom retorno de bilheteria, é certamente uma aposta de ordem financeira ― a ideia aqui, com “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, é repetir o sucesso de público do anterior. Um dos maiores desafios da comédia nacional hoje em dia é suprir a superficialidade do conteúdo com boas doses de criatividade. Pode não parecer, mas o espectador, até aquele somente em busca de diversão que paga o atual preço salgado de um ingresso de cinema, vai ficar mais satisfeito ao perceber que sua capacidade de raciocinar foi minimamente considerada na confecção de um filme, não importa o gênero ao qual pertença. Atento às tendências tecnológicas atuais, “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, para buscar a identificação logo no início, insere na própria imagem aqueles quadrinhos típicos de mensagens do Facebook ou WhatsApp. Não importa se esse recurso no cinema não é novidade. Conrado (Malvino Salvador) e Tati (Cleo Pires) estão próximos, mas não desprezam o envio de mensagens virtuais. Como cansamos de ver por aí. Uma presença do moderno, evidente por toda a projeção, que é agora a marca do filme, deixando para trás a voz feminina da caixa postal telefônica utilizada no primeiro longa.

O evento da vez é a viagem de Conrado a um resort no México, onde ele lançará o seu tão polêmico livro, asseverando a tese que ele pelejou para defender. Aproveitando o clima de férias no exterior ― o retrato estereotipado do México é abordagem óbvia ―, Tati resolve preparar o terreno para pedir o namorado Conrado em casamento. Até uma exibição online do usual “você quer casar comigo?” é arquitetada para entreter os que ficaram no Brasil. O que ninguém esperava era a resposta titubeante do noivo, um “posso pensar?” de efeitos catastróficos. O ex-namorado de Tati, o descerebrado Marcelo (Dudu Azevedo), ainda mantendo a amizade com o igualmente acéfalo Magrão (Álamo Facó), acaba descobrindo que o relacionamento de Tati, depois da resposta decepcionante do “guru”, está por um fio. Movido pela esperança de reconquistá-la, Marcelo embarca para o México, com Magrão a tiracolo, já prevendo vitória certa.

Sob a direção conjunta de Roberto Santucci e Marcelo Antunez, fica claro que o elenco está mais afinado que antes. Até o personagem de Álamo Facó, excepcionalmente irritante, dá a volta por cima e consegue divertir com tiradas engraçadas. Brincando com referências ao filme inicial, Tati precisa de orientação novamente, agora ela tem que deixar Conrado aos seus pés após o vexame do pedido de casamento. Quem toma a dianteira na função é Ângela (Rita Guedes), a ex-mulher de Conrado que também está no México para defender uma tese, dissecada em livro de sua autoria, que confronta as afirmativas do ex-marido. Tati segue as coordenadas de Ângela, com roupagem de mulher fatal, para fazer cair o queixo dos atrapalhados adversários na disputa por um lugar no seu coração. Participações especiais da pequena Mel Maia e de Fábio Jr., fazendo piada de si mesmo, é outro ponto positivo para a comédia. Marcelo Saback também faz uma ponta ― o conquistador bem dotado. Figura descartável dona de um humor cômodo, mas que não representa um prejuízo ao restante da trama. Se a proposta é fazer rir, que a execução seja decente, sem truques mais constrangedores do que propriamente engraçados. Isso, “Qualquer Gato Vira-Lata 2” consegue, sem culpa no cartório.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 3