Queen sem Freddie – 30 anos depois no RIR

Adam Lambert segura as pontas, mas show é de Brian May e Roger Taylor

por

19 de setembro de 2015

Pontualmente britânicos, Queen + Adam Labert nos vocais, para celebrar os 30 anos em que arrasaram neste palco com o saudoso Freddie Mercury, desenrolaram o tapete vermelho para mostrar que mesmo coroas ainda detém a coroa britânica de Queen com uma carta ou outra na manga…

Screenshot_2015-09-19-00-54-25-1

Abrindo com “One Vision” na medida do look moderno e agressivo que precisavam adotar para encaixar a figura glam drag meio Bowie e meio Ney Matogrosso de Adam Lambert, não se acanharam em trazer sucessos mais alternativos da banda como “Fat Bottom Girls” e “Queen Killer”, apesar de logo depois retomarem com “Another Bites the Dust” e realmente ganharem os gogós dos fãs com “I Want to Break Free” e “Somebody to Love”, onde Adam Lambert estrategicamente e de propósito não tentou copiar as notas marcantes de Freddy para não ser tachado de imitação, apesar de que até poderia alcançar, de forma diferente. O fato é que: não seja por falta de imenso respeito a Lambert, que foi o melhor produto a sair do reality show American Idol em eras, porém logo para uma banda como Queen, faltou-lhe vivência de voz. Maturidade de voz. E mais molejo. Falta um toque rústico, arranhado, menos tecnicamente certinho e dependente dos grandes falsetes.

É por isso que foi um toque de gênio fazer Brian May sentar de maneira mais acústica, logo depois de pegar um pau de selfie para tentat quebrar recorde com a plateia do RIR atrás de si, e resgatar o público a cantar “Love of my life” acompanhado da plateia verso ppr verso. Momento genuinamente lírico com direito a participação de Freddie no telão. Depois, mais intimismo com o baterista Roger Taylor cantando à frente da bateria a música “Kind of Magic”, pois é uma magia sentir o gênio Mercury entre todos ali. E depois voltar pras baquetas a disputar uma batalha de percussão com seu filho assumindo a outra bateria. Sequência esta que culminou na apoetótica “Under Pressure” com Lambert e Taylor fazendo os vocais que outrora eram de Mercury e David Bowie.

A partir do 3o ato, a banda já tinha controle de público, o que permite Adam cantar até música própria, “Ghost Town”, e depois desenvolver bem os vocais mais operísticos que se encaixam bem em seus falsetes nos sucessos do Queen: “Who Wants to Live Forever” (imortalizada no filme “Highlander”) e “The Show Must Go On”, pois de fato o show tem que continuar.

Deu até pra Brian May arrebentar com solo de guitarra que prova todo o respeito que merece, e dividiu ainda os vocais com Lambert em “I Want it All” e “Radio Ga Ga”, recepcionado pelas palmas e gritos da plateia, seguido da viciante “Crazy Little Thing Called Love”, onde Adam imitou até Elvis.

Sim, tocaram no hino sagrado “Bohemian Rhapsody”? Sim. Mas respeitaram público mantendo boa parte ainda cantada em vídeo por Freddy. E assim show mesclou a banda original, algumas participações póstumas no telão de Mercury e Lambert. Recorde de plateia a lotar o Parque dos Atletas acabou não resistindo e se juntou para acabar o bis com May vestindo camisa do Brasil e Lambert com terno de oncinha e coroa de brilhantes para “We Will Rock You” e “We are the Champions”.

Mais de duas horas de show com muitos hinos e sucessos.

Screenshot_2015-09-19-00-51-50-1