Rainha e País

Volta de John Boorman na continuação de “Esperança e Glória” não é tão satisfatória quanto poderia

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23 de junho de 2015

Continuação do premiado “Esperança e Glória” (1987), “Rainha e País” dá sequência à história semibiográfica contada por John Boorman há 27 anos. Boorman, que não dirigia um filme há oito anos (o último foi “O Rabo do Tigre”, pouco conhecido), volta novamente como diretor e roteirista da trama que tem Bill Rohan como personagem central. Agora com 18 anos e alistado no Serviço Nacional, Bill (Callum Turner) constrói uma grande amizade com o “sem noção” Percy (Caleb Landry Jones, meio exagerado no quesito caricatural), se apaixona por uma mulher misteriosa e passa seus dias de folga na mesma casa onde mora desde o pós-Guerra. Enquanto a maioria dos jovens é mandada para lutar na Guerra da Coreia, Bill e Percy continuam no campo de treinamento, mas agora trabalhando como instrutores dos novos recrutas sob o olhar severo do sargento Bradley (David Thewlis).

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Assim como no primeiro longa, em “Queen and Country” (no original) a guerra vigente é apenas utilizada com um leve pano de fundo e o filme não apresenta um grande conflito – a intenção é mostrar o cotidiano de Bill, seus companheiros de trabalho, seus novos amores e sua família. Boorman deixa claro que o que importa para ele é a vida dos personagens, inspirada na sua própria, não as guerras. Aqui, são esclarecidos certos fatos que em “Esperança e Glória” não ficaram tão claros, porém há alguns furos, como o sumiço da irmã mais nova da família, Sue, que sequer é citada – ao passo que a mais velha, Dawn (Vanessa Kirby), volta para casa ainda mais atrevida –, e a mudança sem explicação no sobrenome de Rowan para Rohan.

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Boorman mantém o foco de sua câmera no início da vida adulta de seu protagonista: as amizades, a descoberta do amor e do prazer, as questões familiares e o ingresso na vida profissional do exército, que lhe foi imposta por dois anos. Além de acompanhar o amadurecimento Bill, o espectador também acompanha a evolução do elenco de apoio ao longo da fita e vê como cada personagem lida com as situações difíceis impostas pela vida. No núcleo do campo de treinamento, o que vemos é um contraste de personalidades (agressiva, pacífica e em cima do muro) e o constante confronto disciplina versus indisciplina, travado entre o metódico e agressivo sargento Bradley e os soldados brincalhões Bill, Percy e Redmond. O grande problema de “Rainha e País” é que, embora tenha algumas (poucas) boas premissas, não consegue concretizar nenhuma delas. O roteiro escrito por Boorman é raso e carece muito de aprofundamento dos personagens. Além disso, a maior parte do elenco tem atuação fraca, caricata e nada divertida (a pior é a de Callum Turner, que vive Bill), e o ritmo é tão inerte quanto o lago da casa de Bill, o que torna o filme bastante cansativo para o grande público. Boorman teve boas intenções ao filmar este projeto tantos anos depois de “Esperança e Glória”, mas o resultado ficou bem aquém de seu antecessor de sucesso.

Rainha e País (Queen and Country)

Reino Unido – 2014. 115 minutos.

Direção: John Boorman

Com: Callum Turner, Caleb Landry Jones, David Thewlis, Aimee-Ffion Edwards, Tamsin Egerton, Vanessa Kirby e Pat Shortt.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 2