Remake, Remix Rip-Off

por

02 de outubro de 2014

A paixão pelo cinema extrapola qualquer barreira, falta de condições ou deficiência técnica. “Remake, Remix Rip-Off” (2014) do diretor e roteirista Cem Kaya, faz um divertido apanhado da trajetória (entre os anos 60/70) de um dos maiores pólos produtor de cinema do mundo – a Turquia – que contava com uma absoluta falta de recursos em todos os sentidos. Com apenas três roteiristas e nenhuma outra qualificação técnica, o cinema turco deste período adaptou uma enorme quantidade de filmes remixados das grandes produções norte americanas.

download (5)

Sem leis protegendo os direitos autorais, existia uma grande liberdade para copiar (ou pegar emprestado, como a maioria gosta de lembrar), roteiros, trilhas sonoras e até seqüências de filmes que eram inseridos como parte da produção. Dificilmente um blockbuster ou clássico norte americano foi omitido. O espectador se diverte assistindo cópias ridículas de grandes sucessos como Tarzan, O Mágico de Oz, Star Wars ou o Exorcista em versão turca.

A produtora Yesilçam tinha uma estrutura instável e não contava com nenhum apoio governamental além de submeter o elenco e a equipe técnica a um insano esforço físico que envolvia rapidez e praticidade.

Os depoimentos dos diretores e atores, sobreviventes desta época de ouro, são repletos de orgulho e contém uma forte ironia política ao rebater as críticas sobre o plágio descarado, mas a cultura da adaptação na Turquia é tão forte que ninguém sofre remorso. O documentário avança na cronologia até os dias atuais mostrando como anda a atual situação do cinema turco, que ressurgiu com o premiado Yol (1982) e a evolução da consciência sócio-política e cultural do país. Chega a ser emocionante assistir uma violenta manifestação pública protestando contra a demolição do icônico cinema EMEK em Istambul com a polícia bombardeando a multidão com jatos d’água e com granadas de gás lacrimogêneo.

rrr_official_filmposter1

“Remake, Remix Rip-Off” (2014) sofre um pouco com a qualidade da documentação gráfica, pois a Turquia não possuía nenhum arquivo cinematográfico e a maioria do material produzido se perdeu ou foi queimado para retirar a prata do celulóide.  Mesmo assim o espectador perceberá que estas toscas imitações devem ser respeitadas, pois eram realizadas por pessoas que faziam cinema com muito amor e muita garra.

 

Festival do Rio 2014 – Filme Doc

 

Remake, Remix, RipOff

Turquia, Alemanha, 2014. 100 min.

Direção: Cem Kaya

Documentário