Se Fazendo de Morto

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21 de janeiro de 2015

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O gênero comédia em nosso circuito geralmente é servido de diversos exemplares bastante distintos entre si, porém que costumam cair nas mesmas categorias. A brasileira, a americana e a francesa. E, dentro destes gêneros predominantes, há espécies também, como comédias comerciais ou de arte. As francesas costumam ser mais artísticas do que comerciais, o que não invalida a afirmação oposta. O fato de flertar com o comercial não precisa ser um demérito. Este é o caso de “Se Fazendo de Morto” (“Je fais le mort” no original, de Jean-Paul Salomé), um misto noir, investigativo, comédia de humor negro e romance.

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Contando a história de um ator mal sucedido porque quer mandar demais nos filmes em que participa, pisando na autoridade até dos diretores, uma reviravolta acontece em sua carreira: aceita trabalho remunerado na estação de esqui como dublê em reconstituição de cenas de crime numa série de assassinatos que estão sendo julgados. E desta vez é por cima da juíza que ele vai tentar passar em meio à sua exagerada imersão de personagem… O pior é que começará a apontar de fato para a direção certa no caso.

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Mesmo que um pouco previsível, a inspiração em romances de Agatha Christie, a vigorosa defesa do protagonista pelo ator maturado François Damiens (atualmente em circuito carioca no também agradável “A Família Bélier”) consegue transitar entre o ironicamente impertinente e o divertidamente vítima para atrair a compaixão do espectador sem nunca irritá-lo, apesar de sua própria personagem ser intragável às vezes para os coadjuvantes. Enquanto que sua contraparte, interpretada por Géraldine Nakache, demora um pouco para engatar, mas não resiste à forte química que Damiens provoca em cena, causando sequências verdadeiramente hilárias como a da roupa de couro sadomasoquista… E ainda conta com participação da veterana Anne Le Ny (do hit “Intocáveis”). Além disso, a solução do crime, mesmo que precise derrapar em algumas reviravoltas ligeiramente forçadas, gera um final diferente na medida para a plateia sair renovada.

 

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 4