Sob o Mesmo Céu

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11 de junho de 2015

Após a experiência de assistir a “Sob o Mesmo Céu”, nova produção dirigida por Cameron Crowe, o questionamento despertado não é nada positivo: como levar a sério um filme de natureza tão medíocre, raso como uma poça, a ponto de ser possível esquecê-lo logo depois da saída do cinema. Outra interrogação inevitável diz respeito ao elenco que aceitou embarcar na canoa furada. Bradley Cooper, recentemente levado ao apogeu por Clint Eastwood em “Sniper Americano” (2014), interpreta um personagem principal que nada acrescenta ao currículo. Na ala feminina, estão Emma Stone, bem apagada após desempenho fluorescente em “Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (2014)”, de Alejandro González Iñárritu, e Rachel McAdams, atriz que muito bem provou da temática transcendental de Terrence Malick em “Amor Pleno” (2012). Talvez o nome de Cameron Crowe, cineasta instável, mas responsável por obras notórias como “Jerry Maguire” (1996) e “Quase Famosos” (2000), tenha tido magnetismo suficiente para atrair os astros. Não se pode botar um véu de gentileza no equívoco e a constatação é única ― no núcleo do filme, dá pena observar esses atores tão desperdiçados.

O roteiro, também assinado por Crowe, consegue a proeza de ser simplista e absurdo, de modo simultâneo. Bradley Cooper é Brian Gilcrest, um homem que, após passar por problemas na carreira militar, é enviado ao Havaí para acompanhar o lançamento de um satélite: um empreendimento cheio de más intenções comandado por Carson Welch (Bill Murray), um milionário excêntrico. Tal evento megalômano, de tão mal explorado torna-se uma peça que não se encaixa no todo, parece até fruto de viagem interplanetária da mente de Crowe, que dirige sem os pés no chão. Emma Stone vive a piloto de aviões de caça Allison Ng, encarregada da tarefa de acompanhar Brian como uma sombra durante o projeto. Entre os dois, força-se uma tensão sexual nada convincente, fraca para vingar. E por último, mas não menos importante, temos a personagem Tracy Woodside (Rachel McAdams), uma ex-namorada de Brian que sente o coração bater mais forte ao vê-lo de novo pelas redondezas. O mutismo voluntário de Woody (John Krasinski), atual marido de Tracy, é mais um dos absurdos despropositados de “Sob o Mesmo Céu”.

Um pecado comprometedor é o retrato estereotipado do Havaí, uma opção de abordagem que se reflete até no título original do longa: “Aloha”. Sem decidir para onde quer seguir ― na verdade, a indecisão de gênero não configura um problema se o cineasta sabe o que faz ―, o roteiro escolhe o tom mais pífio de comédia romântica para predominar. As passagens que pegam mais pesado no drama também não ajudam, carecem de substância para conferir ao filme algo maior que a pura irrelevância. Graças a um fiapo de seriedade apresentado lá pelas tantas, alguma coisa boa consegue se desvencilhar dessa embrulhada: o acerto de contas de Brian com um segredo desenterrado do passado, parando por aí. Mais mérito do ator do que de Crowe.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 2