The Last Naruto: O Filme

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29 de maio de 2015

Para os não-entendidos, ‘Naruto’ é uma série de mangá (HQ japonesa) convertida posteriormente para a TV em anime (animação japonesa), e que já completa 15 anos de existência, na trilha de outras séries anteriores também muito famosas que pavimentaram o caminho para tal gênero. Aliás, todas já ganharam longas para o cinema, desde priscas eras, em seu auge, ou mesmo agora na já terceira geração. A própria saga ‘Cavaleiros do Zodíaco’ ganhou um remake 3D ano passado, mudando completamente os traços originais do anime, e ‘Dragon Ball’ ganhará ainda este ano a continuação “A Ressurreição de Freeza”. Já Naruto, após tantos anos, teve seu fim anunciado de forma comemorativa ano passado, e enfim aterrissa aqui “The Last Naruto – The Movie” (“O Último Naruto – O Filme, 2014, de Tsuneo Kobayashi), coroando tudo o que fez da série um sucesso, mas também tentando vender um produto para as novas gerações que nunca leram/assistiram. Mas será que o resultado é inteligível para os iniciantes?

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A eterna questão se uma série consegue ser adaptada para algo que não apenas destinado aos próprios fãs até começa muito bem, com uma introdução geral belissimamente filmada, toda parecendo em nanquim, com rabiscos sombreados como sobre um pergaminho, para explicar a mitologia milenar da série, de deuses, guardiões gigantes e chakra… Na verdade, não importa muito entender as nomenclaturas especificamente pertinentes daquele universo, como bakugan ou tesseigan, o que vale é a experiência, e, mesmo para os que jamais entraram nesta saga, porém apreciem animes, poderão se identificar, com boa dose de mitologia oriental, como os bonecos-marionetes, ou deuses sábios que guiam os pagãos… Há de se acostumar com o misto de ação e emoção, dividindo a história entre o romance dos protagonistas e o perigo principal, de um descendente do guardião ancestral da Lua, este por sua vez irmão do Sábio dos Seis Caminhos que gerou os clãs da série para proteger a Terra, mas que decide destruir o planeta por achar que as eternas guerras dos clãs mancharam o privilégio da existência humana, devendo se recomeçar a história. Já sobre o romance meio pueril, mas com humor jovial, há de tudo um pouco lá. Como retrocedem um pouco para o início, na infância dos personagens, fica mais fácil de compreender as motivações dos mais em foco nesta película, especialmente o próprio Naruto e a personagem Renata, que procrastinaram longamente o tal romance na saga, e enfim brindam seus leitores/espectadores com a resolução desta tensão amorosa, tangenciando vários temas espinhosos bons para os jovens de hoje, como bullying, autoestima, ciúme, abnegação e auto-sacrifício em nome do amor. Mesmo com boas doses de luta, o próprio mote prestigia a boa questão logo no princípio: ‘o que é mais importante, poder ou amor?’.

Pena que a incrível estética inicial retromencionada não permaneça por toda a projeção, mas afinal o filme é mesmo destinado aos fãs fidedignos que não desistiram por 15 anos para ver seu fim, com mil referências saudosas para chorar e fechar bem as pontas soltas. Então, nada mais digno que mantivesse os traços da série da TV, apesar de no final homenagear os quadrinhos que lhe deram origem com várias páginas animadas lindamente. Até pode ser inteligível para o espectador comum, principalmente se ao menos entenderem de mangá, senão, podem achar muito povoado de nomes e subtramas, confuso, ou mesmo arrastado, pela fusão de gêneros típicos do anime. Para os fãs, pode até ser uma nota maior. Para o público em geral, uma nota média.

Aguardem no assento, pois há cena após os créditos.

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 3