Tim Maia – Coletiva de Imprensa

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31 de outubro de 2014

Os principais nomes do elenco do filme “Tim Maia” participaram de uma conversa descontraída com a imprensa, no último dia 28, em um hotel da zona sul carioca. Cauã Reymond, Babu Santana e Robson Nunes, bastante entrosados, compartilharam com o Almanaque Virtual as experiências e as emoções de atuar no filme que reacende a importância de um dos principais nomes da música brasileira. Na cinebiografia dirigida por Mauro Lima, os atores Robson Nunes e Babu Santana foram os grandes desafiados no projeto, ambos interpretaram Tim Maia em fases distintas da vida do astro, em um processo de atuação que mais valia a valorização da essência do artista do que a mera mimetização fria e tediosa. Cauã Reymond, na pele de um verdadeiro amigo de Tim, é também produtor associado da obra. Função burocrática que anda animando o ator que já investiu em outros filmes como “Se Nada Mais der Certo” e “Alemão”, nos quais também atua, ambos dirigidos por José Eduardo Belmonte.

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Responsável pela fase mais jovial de Tim Maia, Robson Nunes disse que a maior preocupação era que a persona do cantor, construída por mais de um intérprete, transmitisse a maior singularidade possível. A princípio, Robson e Babu trabalharam sozinhos antes do encontro com o resto do elenco. Exercício indispensável aos atores que na tela do cinema deveriam se transformar em uma única pessoa. O processo de pesquisa, nas palavras de Robson, não poderia ser mais gratificante. “Uma experiência interessante é você ler o livro em paralelo com a discografia do Tim. O grande barato da pesquisa para o filme é descobrir o Lado B do Tim Maia que nem todo mundo conhece.” Mais do que base para a realização do filme, o livro de Nelson Motta, intitulado “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” foi, segundo Robson, uma bíblia constantemente consultada.

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Se todos já tinham certa admiração por Tim Maia antes do início das filmagens, a fase de imersão na vida do artista falecido em 1998 converteu os atores em fãs incondicionais. A familiaridade de Babu Santana com a prática do canto, ele participou do grupo “Nós do Morro” na comunidade carioca do Vidigal, definitivamente não foi um estímulo para o excesso de confiança. “Cantar no mesmo timbre do Tim Maia foi um desafio. A pesquisa mais profunda que eu fiz dele foi dentro da própria música.” Quando perguntado a respeito da faceta polêmica do músico, Babu, que nunca havia se sentido parecido fisicamente com ele, foi categórico. “É muito fácil atirar a pedra sem saber o que aconteceu antes. Acho que o Tim Maia teve esse estigma só por ter o holofote da fama em cima dele.”

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Diante da impossibilidade de encolher uma trajetória de mais de meio século, o roteiro do filme, assinado pelo cineasta Mauro Lima e por Antonia Pellegrino, optou pela composição de personagens que condensavam os vários encontros que marcaram a vida de Tim. Cauã Reymond interpreta Fábio, espécie de síntese das amizades do cantor, da mesma forma que Janaína, personagem de Alinne Moraes, é a representação de dois amores do biografado. É de Cauã os maiores detalhes quanto ao recorte de vivências. “É muito difícil contar a história de alguém em duas horas e vinte. Então a gente faz escolhas para convidar o público, esse é um dos motivos pelo qual a gente sintetiza os amigos, a gente sintetiza as mulheres. Eu acho que foi uma escolha consciente para ser convidativa.” Para o ator, a fiel colaboração de Robson Nunes e Babu Santana foi algo emocionante de acompanhar. “Uma das coisas mais bonitas que eu vi foi a relação desses dois. É tão difícil fazer o mesmo personagem e eles estavam conectados desde o começo. Nunca teve uma briga, eles construíram uma amizade, uma relação artística. Construíram uma relação com o Tim.” Em cartaz nos cinemas, “Tim Maia” é satisfação garantida para os admiradores de boa música e cinema levado a sério. Entretenimento com estofo.