Tim Maia

por

31 de outubro de 2014

O músico Tim Maia, biografado em outras plataformas como TV, teatro e literatura, é agora revivido nas telas do cinema. O filme “Tim Maia”, dirigido por Mauro Lima ― cineasta que com o longa “Meu Nome não é Johnny” (2008) botou no currículo o gênero biográfico ― é baseado no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, da autoria do jornalista Nelson Motta. Recorte de uma existência vivida (e autodestruída) ao extremo, é imprescindível o corte de muitas experiências, o filme opta pela linearidade ao começar na década de 1940, com as origens humildes do carioca Sebastião Rodrigues Maia. Negro desprovido de oportunidades, sem lugar no mundo até descobrir-se no som da vitrola, moleque que percorria as ruas da Tijuca na entrega de marmitas, o negócio da família.

Tim Cr+¡tica

Em pouco mais de duas horas de projeção, passamos do preto e branco da infância ao colorido de uma fama que já cobra seu preço. A obra musical de Tim Maia é o oxigênio do filme que sobrevive bravamente ao passar de dias, anos e décadas. Até que o coração que mais importa, o do próprio Tim, pare de bater no dia 15 de março de 1998. Se a narração em off é em muitas ocasiões um recurso preguiçoso, aqui essa opção não resvala no lugar-comum por conta da criatividade, bem-humorada e quase poética, das frases ditas pelo narrador, personagem de Cauã Reymond. Assim, une-se o útil ao agradável ― narração nada cansativa aliada a um provável desejo de maior evidência ao famoso produtor associado. Robson Nunes e Babu Santana interpretam Tim Maia em fases diferentes da vida, o primeiro é o Tim jovem, ligeiramente superior no desempenho, enquanto o segundo fica com a fase mais adulta do músico.

Tim Cr+¡tica2Tim Cr+¡tica3

No conjunto de delícias que o filme proporciona, um elemento bem saboroso é justamente o lado do ídolo que o grande público desconhece. A juventude no bairro da Tijuca com direito a uma bandinha de paróquia, sua incursão na TV Tupi pelo programa “Clube do Rock” e a viagem edificante, mas também transgressora, à Nova York. Roberto Carlos envolve-se indiretamente com outra polêmica em “Tim Maia” ― a retratação do Rei não é nada simpática. O então jovem amigo de Tim Maia (Erasmo Carlos era também participante do grupinho), que conseguiu fama explosiva com a Jovem Guarda, é posto em posição de contraste com Tim. O talento soul, a grande promessa da música brasileira, em oposição ao som descompromissado de Roberto Carlos (George Sauma) e companhia, apenas estímulo para a histeria das famigeradas macacas de auditório. Já que o filme segue a linearidade temporal, a regra da ascensão e queda torna-se inevitável. O protagonista ganha dinheiro e atenção feminina, com os encantos de Alinne Moraes, e faz de seu poder um manancial de drogas e loucuras. A audível genialidade de seu ritmo converte-se em silêncio de completa solidão até que entra em cena o sossego, decorrência de complicações cardiovasculares. Filme que mescla apuro técnico e habilidade de emocionar com um mínimo inofensivo de drama folhetinesco, “Tim Maia” é um filme quase tão notável quanto o seu biografado, uma façanha e tanto.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 4
  • Paulo Carvalho

    Muito bom o filme… Recomendo