Star Trek (Star Trek)EUA, 2009 - 127 minutos - Paramount
Direção: J.J Abrams
Com: Chris Pine, Zachary Quinto, Eric Bana, Zoe Saldana, Anton Yelchin, Jon Choo, Winona Ryder, Leonard Nimoy
Ficção científica. O impetuoso e renegado James Kirk (Chris Pine) e o igualmente jovem, meio vulcano, meio humano, Spock (Zachary Quinto), estão entre os jovens membros de uma tripulação principiante da Frota estelar, prestes a lançar a mais avançada nave espacial já criada - a U.S.S. Enterprise. Durante a incrível viagem galáctica para explorar o espaço, eles conhecerão o diabólico Nero (Eric Bana), cuja missão de vingança ameaça toda a humanidade.
Extra dos extras:
Edição está em widescreen anamórfico.
No DVD:
- Comentários de J.J. Abrams, Bryan Burk, Alex Kurtzman, Damon Lindelof e Roberto Orci (gloriosamente disponível em legendas tanto em português como em inglês. Entusiasmado parabéns à Paramount, todos os DVD que trazem faixas de comentários deveriam ter legendas).
- Uma Nova Visão
- Erros de Gravação
No Blu-Ray:
- Comentários de J.J. Abrams, Bryan Burk, Alex Kurtzman, Damon Lindelof e Roberto Orci
- BD Live Features: NASA News
- Audaciosamente Indo (em HD)
- O Elenco (em HD)
- Uma Nova Visão (em HD)
- Naves Estelares (HD)
- Alienígenas (HD)
- Planetas (HD)
- Objetos de Cena e Figurinos (HD)
- Ben Burtt e os Sons das Estrelas (HD)
- A Música (HD)
- A Visão de Gene Roddenberry (HD)
- Cenas Inéditas com Comentários Opcionais
- Nave Simuladora da Frota Estelar
- Erros de Gravação
Quando a história digamos, psico-social, da freqüência das platéias brasileiras de cinema às nossas salas em 2009 for escrita, deve ser registrado que num país que faz ser sucesso tantos filmes "arrasa-quarteirões" ruins de Hollywood, este novo "Stra Trek", fracassou - um dos poucos lugares do mundo em que o filme foi mal de público, e numa proporção circuito lançado/tamanho da platéia/bilheteria que se almejava, talvez o maior fracasso planetário.
Pena, pois "Star Trek" não é só (em senso de aventura, efeitos especiais, humor, adequação de ritmo, etc) um dos melhores "arrasa-quarteirões" dos últimos anos, mas um genuíno milagre da cultura pop: uma obra que agrada tanto ao mais fanático cultor da série de TV "Star Trek" (e todos os derivados televisivos e cinematográficos dela), uma das coisas mais apreciadas na cultura de massa dos EUA dos aos 60 do século XX para cá, quanto um espectador que nada entenda da série e de toda a mitologia da variações surgidas a partir da fonte original. (Por sinal, análise do fiasco brazuca indica que as platéias daqui não tomaram consciência do fato consagrado de que este filme servia para qualquer um; e como aqui os filmes da série nunca foram muito bem, mas um arrecadou mal). Azar de quem não viu.
Link para um "Almanaque" (o mega especial que o "Almanaque Virtual" publica quando é lançado um filme especial para os amantes de cultura pop). Traz vastíssimo material sobre este filme (com uma crítica excelente sobre o filme, bem elucidativa) e a saga toda, desde os primórdios da primeira série televisiva nos anos 60.
http://almanaquevirtual.uol.com.br/almanaque.php?id=18609
Meu Trabalho É um Parto (Labor Pains) EUA, 2009 - 89 minutos - California Filmes (bem bolado título nacional para este filme, e mais um título inédito em nossos cinemas lançado pela distribuidora, que tem feito um trabalho dealto nível no sentido de apresentar este tipo de ineditismo)
Direção e co-roteiro: Lara Shapiro
Com: Lindsay Lohan, Chris Parnell, Cheryl Hines, Luke Kirby, Aaron Yoo
Comédia. Thea é uma jovem assistente que trabalha em uma editora em Los Angeles. Quando o terrível chefe ameaça Thea de demissão, ela entra em pânico e acaba dizendo que está grávida. Essa jogada não só ajuda Thea a manter seu trabalho, como também faz com que ela chame mais atenção dos colegas e seja promovida. Manter seu segredo não será fácil, mas não contar a verdade também é uma grande tentação. Filme ficou inédito nos cinemas brasileiros, mas não só por aqui. As razões ver abaixo.
Extra dos extras:
Nada de relevante. Edição está em widescreen.
Notas informais sobre uma menina que vive uma maré malvada
Esta editoria hoje está interessada em futurologia - ver acima. Aqui também vai outra previsão: quando a história da moderna cultura de celebridades dos EUA for escrita daqui há décadas ou centenas de anos, um capítulo especial deve ser reservado para Lindsay Lohan. A garota vive um calvário parecido com o de Britney Spears (que sempre foi mais famosa no plano internacional, mas interno tem mais ou menos a mesma fama), sem esboçar a redenção que esta parece estar experimentando.
Nem é preciso fuçar com afinco revistas de fofocas, etc, até por ser quase impossível obter todo a quantidade de informação. Basta ver as capas de portais, sites, ver chamadas de programas de TV, etc. Os problemas da moça se estruturariam em três vertentes: a) Muita droga e bebida, com consequentes problemas como prisões por dirigir mamada, etc. b) A polêmica cretina que seu namoro lésbico com uma DJ causaria/causa (mães achando que é "mau exemplo", lésbicas interessadas em instrumentalizá-la como uma "causa política") c) Problemas com parentes, em especial, o pai, que quando ela era menor, fazia, sejamos um pouco marxistas (há, há, há), "expropriações revolucionárias" nas contas dela, e agora perdeu com ela adulta e ciente das coisas, a possibilidade parasitária de se dar bem com essas mamatas. De novo, nas capas de portais, etc, você poder ler coisas como mais ou menos, "Coleção de moda de Lindsay Lohan é ridicularizada na Europa", e sobre como uma revista publicou "cartas abertas" do pai..., de parentes, de interventor profissional, etc, pedindo que ela se cuide pois se não vai morrer, patatipatatá. Resultado: há vários veículos que até já tem necrológico de uma guria de 23 anos prontos, e gente que fica apostando quem vai para o beleléu primeiro: Amy Wine House ou ela.
Lohan virou uma espécie de proscrita-símbolo, uma renegada ainda fazendo parte de um universo mas quase como uma doença dentro dele, uma coisa que representaria - e representa sem dúvida - o lado mais sórdido do "mundo dos famosos" de hoje, ao mesmo tempo que o retroalimentando, em cobertura que vai da condescendência cínica que explora miséria (no caso, emocional), de forma manipulativa, ao puro horror dantesco e assumido do humor mais negro de certos comediantes que fazem piada com o caso - estes ao menos agem às claras. Necessário dizer também que existe um conluio de desgraçados entre a vítima e o algoz: Srta. Lohan não faz outra coisa que fornecer munição barata para ser achincalhada, e não consegue - ou masoquistamente não quer - se defender de tudo isso.
Fato é que todo este circo só pode ser lamentado. Há um ser humano em questão, e no plano público do qual ela fazparte, há um talento sendo jogado fora. Como cantora, com sinceridade, óbvio que Lohan não é nenhuma Diana Krall, Norah Jones, Regina Spektor, mas o popzinho dela não é pior que muita coisa que tem por aí. É decente. No quesito atriz é que o desperdício se revela com contundência. Quem viu Lindsay Lohan atuando criança, adolescente, ou já jovem mulher, em filmes como "Operação Cupido", "Sexta-Feira Muito Louca", a obra-prima "Meninas Malvadas", "Confissões de uma Adolescente em Crise" e "Herbie: Meu Fusca Turbinado", e não tem olhar viciado em preconceitos pode ter se dado conta disso: esta menina tem um excelente senso de comédia, de ritmo, do "dar" a fala com a modulação certa do tempo de piada. Uma faculdade de interpretação séria usaria a interação entre ela e Jamie Lee Curtis (em estado de graça na obra) contracenando em "Sexta" (refilmagem muito superior ao original dos anos 70 com Jodie Foster), como parte de grupo de exemplos de excelência numa aula sobre comicidade feminina no cinema. Ela já era um talento consagrado, e que muito ainda podia ser desenvolvido, depurado, até virar de vez uma cômica daquelas, quem sabe, de marcar época mesmo. Mais crescida tentou mudar um pouco o foco nos dramáticos "Eu Sei Quem Me Matou" (inclusive com cena erótica), e "Capítulo 27" (sobre Mark Chapman, o assassino de John Lennon).
Ambos filmes fracos - embora na demência de questões identitárias e truques de trama de "Eu Sei", havia um risível involuntário ainda que válido sobre maneira como estas questões são diluídas e tratadas - nos quais ela tinha atuações bem razoáveis. Fez e está fazendo outros filmes, claro, e curioso era notar por exemplo que mo medíocre drama familiar "Ela É Poderosa", era a melhor de um elenco em que dividia a cena com Jane Fonda e Felicity Huffman, como mãe e avó dela. E que não faz feio frente à Kate Winslet em "O Amor Não Tira Férias, sobrepujando fácil Cameron Diaz.
E aí chegamos à "Meu Trabalho É um Parto". A aura de baixo-astral em cima dessa menina é tão grande no momento, que o filme simplesmente teve lançamento cancelado nos EUA, em quase todo o planeta também (dizem que estreou na Turquia e Romênia) e passou na TV antes de chegar ao DVD. A razão seria a má qualidade somada à onda contra a protagonista. O filme é tão ruim assim? De jeito nenhum, está longe da qualidade de um "Meninas Malvadas". A cena final fofinha e irritante, é uma cena final fofinha e irritante especialmente ruim e pífia. Mas há motivos para vê-lo com prazer moderado: comediantes talentosos espalhados em pequenos papéis, boas piadas (a do livro de receitas em que Donald Rumsfeld ensinaria como cozinhar costelas, o que teria aprendido no Iraque, é melhor que várias estocadas anti período George Bush como presidente dos EUA que se vêem por aí), piadas grossas, porém suaves, que evitam a grosseria total que o assunto poderia suscitar (a da professora de ginástica para gestantes que se aproveita de exercício para curtir um sarro com o marido de uma grávida, funciona super bem), e uma tentativa de todo não concretizada, porém num bom rascunho, de desmistificar em chave cômica a gravidez como uma idade de ouro.
E Lohan demonstra ainda ter os recursos e o potencial que já demonstrara, como na cena em que justo começa a farsa blefando com o chefe, na barra que segura no chá de bebê, etc. "Meu Trabalho É um Parto" funciona como uma sessão cômica bem agradável de fim de semana ou dia de semana paradão. E só dá para desejar que Lindsay Lohan fuja do destino que ela mesmo e o mundo ao seu redor parecem estar traçando para o futuro dela.
Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half...)EUA, 2009 - 153 minutos - Warner
Direção: David Yates
Com: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Jim Broadbent, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Tom Felton, Bonnie Wright
Fantasia. Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, Lorde Voldemort ameaça tanto o mundo dos trouxas quanto o mundo dos bruxos, e Hogwarts já não é o local seguro de outrora. Harry suspeita que o perigo esteja dentro do castelo, mas Dumbledore está mais preocupado em preparar o bruxo para a batalha final que se aproxima rapidamente. Juntos, eles trabalham para superar as defesas de Voldemort. Para isso, Dumbledore recruta o velho amigo e colega Professor Horácio Slughorn, um inocente bon vivant com bons contatos no mundo da magia, pois acredita que ele possui informações cruciais.
Extra dos extras:
Edição em widescreen anamórfico.
No DVD:
- Um Olhar Íntimo Sobre o Elenco de Harry Potter
- J.K. Rowling: um Ano Dentro da História
- Conte Tudo em um Minuto
- Responda Rápido
- O Mundo de Magia de Harry Potter: em Primeira Mão
No Blu-Ray:
- Maximum Movie Mode
- Picture in picture (Galeria de Fotos)
- Um Olhar Íntimo sobre o Elenco de Harry Potter
- J.K. Rowling: um Ano dentro da História
- Conte Tudo em um Minuto
- Responda Rápido
- O Mundo de Magia de Harry Potter: em Primeira Mão
Link para um "Almanaque" (o mega especial que o "Almanaque Virtual" publica quando é lançado um filme especial para os amantes de cultura pop). Traz vastíssimo material sobre este filme (com uma crítica excelente) análise da saga toda, dos livros, etc.
http://almanaquevirtual.uol.com.br/almanaque.php?id=19930
Freud, Além da Alma (Freud)EUA, 1962 - 135 minutos (preto-e-branco) - Versátil
Direção: John Huston
Com: Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks, Susan Kohner, Eileen Herlie, Fernand Ledoux, David McCallum, Rosalie Crutchley, David Kossoff
Drama. A Versátil, sob licença da Screen Media Ventures, apresenta o inédito Freud, Além da Alma, aclamado clássico do mestre John Huston sobre a vida de Sigmund Freud (1856 - 1939). Esta caixa com 2 DVDs traz o filme em versão integral e muitos extras, incluindo um depoimento do Prof. Renato Mezan (PUC), um dos maiores especialistas brasileiros na obra de Freud, e o documentário Freud em Viena. O roteiro cobre o período da vida de Freud desde sua graduação em Medicina na Universidade de Viena até o desenvolvimento de suas primeiras teorias psicanalíticas, relacionando suas descobertas acerca do funcionamento do inconsciente humano às suas experiências pessoais. Ao tratar uma jovem histérica e sexualmente reprimida, Freud (o astro Montgomery Clift em grande atuação) formula o conceito do Complexo de Édipo.
Extra dos extras:
Depoimento do Prof. Renato Mezan (PUC-SP), Documentário Freud em Viena, texto Vida e Obra de John Huston. Edição está em widescreen letterbox.
Psicanalista e crítico de cinema (membro da ACCRJ, Associação dos Críticos de Cinema do Rio de janeiro), Luiz Fernando Gallego contribui com esta editoria publicando um minucioso e imperdível texto-reportagem em que analisa a edição em DVD deste filme e aponta a ausência de algumas cenas.
Cortes em "Freud"
Por Luiz Fernando Gallego
O DVD "Freud, Além da Alma" lançado pela Versátil tem (em torno de) 5 minutos a menos do que a versão que era exibida com legendas pela TV Globo há muitos anos.
(Nota da editoria: depois do "Jornal da Globo" numa sessão semanal fixa que acontecia na madrugada de segunda para terça, e que durou um bom tempo nos anos 80, passando somente passando filmes com som original e legendas em português. O acervo era um pouco limitado pois os filmes se repetiam com certa frequência, mas eram obras de altíssimo nível que ajudaram na formação de vários cinéfilos. Tinha Alfred Hitckcock [o filme principal dele na sessão era "Sabotador", mas outros eramm exibidos], Don Siegel ["O Homem Que Burlou a Máfia"], Joseph L. Mankiewicz ["A Malvada"], e tome de etc de alto nível. Interessante notar que esta sessão existia, dizem, para que a emissora cumprisse uma cota orbigatória de transmissão de horas de programação de filmes com legendas e som original, que seria feita para atender aos deficientes auditivos. Não se sabe: a) Se isso era verdade. b) Sendo verdade, se tal lei-cota foi extinta ou a Globo e demais emissoras ao invés de cumprí-la, hoje preferem pagar uma multa, etc).
Escrevi um trabalho, comparando o roteiro infilmável do Sartre com o filme por fim realizado por John Huston, abordando um pouco da obra do cineasta e o personagem "Orestes" da mitologia grega tal como Sartre o recriou em sua primeira peça "As Moscas". Acho que o personagem Freud para Sartre tinha algo do Orestes em "As Moscas". Detectei pelo menos um dos cortes: um sonho do próprio Freud ligado à morte do pai dele, conhecido como o sonho "Pede-se fechar os olhos" com a ambigüidade de sentido desta frase. No sonho que Freud mesmo relata em seus livros, ele estava lendo um cartaz com tal recomendação. Sua interpretação foi que podia se referir ao dever de fechar as pálpebras dos mortos e também uma ausão à expressão "fechar os olhos" (para os aspectos reprováveis da personalidade das pessoas quando elas morrem).
No caso, do próprio pai que ele temia que pudesse ter abusado sexualmente de suas irmãs, já que a primeira teoria sobre as pacientes histéricas implicava em abusos sexuais reais que teriam ocorrido na infância (teoria do trauma ou da sedução). Posteriormente ele vai considerar que existe a fantasia infantil inconsciente da menina desejar o pai (e do menino desejar a mãe), ou seja, o famoso "Complexo de Édipo", não sendo obrigatório que todos os relatos de abuso sexual na infância tenham de fato ocorrido. Ocorrem, sim, mas muitas vezes eram fantasias, expressão de desejos reprimidos que retornam sob a forma de acusações aos pais (coisa que andou dando processos absurdos de filhas histéricas contra seus pais e até avós nos EUA há coisa de duas décadas atrás).
No filme (em versão completa) Freud desmaia na porta do cemitério onde o pai vai ser enterrado e tem um sonho com rostos estranhos passando à sua frente e vendo um círculo branco em fundo preto (talvez uma coroa de flores?), ao longe, mas a passagem de Freud era impedida por um guarda que colocava a mão na frente dos olhos dele e apontava o cartaz onde mal se conseguia ler a frase já mencionada.
A imagem é muito escura, talvez a coroa de flores esteja se afastando como estando atrás de um carro funerário e Freud não consegue (tal como ocorreu pleo desmaio) acompanhar o cortejo. A cena corta para ele despertando e comentando o sonho, resumido à frase "Pede-se fechar os olhos". Na versão da Versátil, após o desmaio só se vê (de forma ainda mais confusa e incompreensível) um círculo branco afastando-sew, de encontro a um fundo negro e logo Freud acorda e comenta a frase. Um minuto a menos do que na versão original.
Não tenho como detectar os outros 4 minutos a menos.No site iMDB consta que o filme de Huston tinha uma versão de 140 minutos (original) e outra de 120 minutos (para as salas de cinema). A que a TV Globo exibia tinha 2 horas e quase 20 minutos (quase 140 minutos); a da Versátil tem 2 h e 13 minutos (quase 14); a diferença é em torno de cinco minutos.
Já apontei anteriormente sete minutos a menos em "Elisa, Vida Minha" lançado pela Platinum em relação à que havia sido lançada em VHS e à que era exibida por canal de TV a cabo, há tempos. "Cerimônia Secreta" do Losey foi visto nos cinemas cariocas (e na apresentação pelo antigo TeleCine quando era um canal único), em versão completa, sem adulterações, mas a versão que a TV Globo (canal aberto) exibiu há uns 25 anos (ou mais) tinha interpolação de cenas que Losey jamais filmou, com um psiquiatra e um advogado "comentando" o caso da personagem interpretada pela Mia Farrow.
Por fim, voltando ao lançamento da Versátil: a edição tenta ser caprichada trazendo um segundo DVD com um documentário, "Freud em Viena", que trata bem mais da Universidade de Viena do que de Freud. Nos extras, há um depoimento de uns 45 minutos do psicanalista Renato Mezan, conceituadísimo autor de ótimos livros de psicanálise e cultura, mas que comete alguns erros sobre Cinema: ele diz que os sonhos de "Spellbound" ("Quando Fala o Coração", de Hitchcock), sonho e sets com cenários desenhados por Salvador Dalí, eram coloridos em meio ao filme em preto-e-branco. Que eu saiba, nunca foram exibidos a cores, se é que foram filmados a cores. Já vi fotos de sequências que foram filmadas mas jamais aproveitadas, com a Ingrid Bergman vestida como estátua grega (toda branca: rosto, cabelos, vestes) com uma seta atravessando o pescoço; ela se paralisava como estátua, abria-se em dois, dando saída a formigas (o produtor Selznick não gostou nada; só existem fotos que foram mostradas em uma exposição Hitchcock no Centro Pompidou em 2001 e no catálogo que é um livro bem caprichado sobre a obra de Hitchcock, suas correlações visuais com outras artes plásticas.
Renato Mezan diz em sua entrevista que Sartre escreveu duas versões de roteiro, a primeira daria um filme de 12 horas e a segunda, menor. Documentos que usei para meu trabalho sobre este filme, Sartre e Huston, traziam a informação de que o primeiro roteiro do filósofo francês entregue ao cineasta daria um filme de cinco horas, e Huston pediu a Sartre que fizesse cortes. Mas ao tentar reescrever com menos páginas, Sartre foi ampliando, acrescentando cenas, até que desistiu e deixou um segundo roteiro incompleto que aumentava a primeira versão e já chegaria a sete horas de filmagem.
O roteiro foi publicado na França em 1985 e traduzido no Brasil pela Ed. Nova Fronteira pouco tempo depois. O livro traz o primeiro roteiro completo e mais algumas (enormes) sequências acrescentadas no segundo roteiro.
Mezan também diz que a motivação de Huston se deu porque na época em que encomendou o roteiro a Sartre (anos 1950) estavam saindo novos livros sobre Freud, biografias e correspondências. Isto é fato, mas Huston conta em sua autobiografia ("Um Livro Aberto", Ed LP&M) que desejava filmar a vida de Freud (no início da descoberta da psicanálise) desde que escreveu um roteiro sobre o médico descobridor do micróbio da sífilis, filme do mesmo ano que Freud morreu; portanto suponho que desde a morte de Freud (1939) - ou até mesmo motivado pelas notícias da morte do primeiro psicanalista - ele já tinha este projeto acalentado por tantos anos.
Durante a II Guerra Huston fez um documentário sobre o tratamento de soldados com "neurose de guerra" que tinha uma abordagem de certo modo psicanalítica, mas que foi recolhido pelo Pentágono no dia em que ia ser exibido pela primeira vez. Trechos deste doc foram usados no filme "Os Amantes de Maria" com a Natassja Kinski, dirigido por Konchalovski, anos e anos depois. Chama-se "Let there be Light".
Luiz Fernando Gallego
Watchmen – o Filme (Watchmen) – Edição EspecialCom: Jackie Earle Haley, Patrick Wilson, Jeffrey Dean Morgan, Billy Crudup, Matthew Goode, Carla Gugino, Malin Akerman, Laura Mennell
Épico pop. Anos 80, realidade alternativa e fictícia nos EUA, em tensão com a URSS por causa da Guerra Fria e com ameaça atômica pairando. O país ganhou a Guerra do Vietnã graçao ao Dr. Manhattan, um super-heróis de poderes incríveis, e com isso Richard Nixon foi reeleito várias vezes presidente e ainda está no poder. Os super-heróis (melhor, justiceiros mascarados) foram proibidos de atuar, depois de anos usados em programas oficiais de combate ao crime. De repente, heróis aposentados começam a ser mortos. O violento Rorschach (Jackie Earle Haley), age como um vigilante na clandestinidade, e coopta o Coruja (Patrick Wilson), antigo parceiro de heroísmo, para ambos investigarem a identidade do(s) responsável (eis) pelas mortes, antes que suas próprias vidas corram perigo.
Extra dos extras:
Em setembro saiu a edição simples que em DVD trazia apenas um making-of, mas era bem recheada no Blu-Ray. Este DVD comum duplo traz um monte de extras, os que tinha no Blu-Ray mais outros que estavam inéditos. Ei-los:
- Tecnologia de um Mundo Fantástico
- O Fenômeno: O Gibi que Mudou a História dos Quadrinhos
- Super-Heróis Verdadeiros, Vigilantes Verdadeiros
- Watchmen: Arquivos em Vídeo: Os Homens-Minuto, Sets & Sensibilidade, Vestidos para o Sucesso, A Nave Tem Olhos, Dave Gibbons, Queime, Queime, Fotografia e Iluminação, O Dr. Manhattan, Atenção aos Detalhes, As Garotas Detonam, A Máscara de Rorschach - Vídeo Viral: NBS - Noticiário da Noite
- Clipe de Desolation Row, com My Chemical Romance
Marketa Lazarova (Marketa Lazarová)Tchecoslováquia, 1967 - 159 minutos (preto-e-branco) - Cult Classic
Direção e roteiro: Frantisek Vlacil
Com: Josef Kemr, Magda Vasaryova, Nada Hejna, Jaroslav Moucka, Frantisek Velecky
Épico. Votado como o melhor filme tcheco de todos os tempos em diferentes ocasiões/eleições, este é um épico medieval situado no século Xlll. Baseado na obra do escritor de vanguarda Vladislav Vancura, o filme segue a rivalidade entre dois clãs guerreiros, os Kozliks e os Lazars, assim como o amor condenado dos filhos dos rivais, Mikolas Kozlik e Marketa Lazarova. "Marketa" foi e é comparado com obras de Andrei Tarkovsky, Akira Kurosawa e Sergei Paradjanov. Uma raridade em nosso país, que jamais foi lançado em VHS, nem passou em TV por assinatura - sefoi exibido nos cinemas não foi possível checar com 100% de certeza. A atuação da Cult Classic na distribuição de DVD de cinema de arte/alternativo é uma das boas surpresas desta mídia em 2009 no Brasil.
Extra dos extras:
Nada de relevante. Edição está em widescreen anamórfico.