Um amor de vizinha

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13 de outubro de 2014

O amor aos sessenta e cinco anos, depois dos filhos criados, traumas encruados,da fossilização dos sentimentos e da ranzinice. O processo da conquista, de ver o outro, representados na tela por dois grandes atores do cinema americano Diane Keaton de “Annie Hall” e “poderoso Chefão”;e Michael Douglas de “instinto Selvagem” e oscarizado por “Wall Street” (1987).

Com todas as rugas, cabelos brancos, netos e problemas. O encanto bate à porta de dois anciões, bem ao estilo ritmo da idade. Ela, cantora de restaurante, Leah (Diane Keaton), que alías, canta de verdade. Ele, Oren (Michael Douglas) um vendedor de imóveis. Ambos viúvos, que vieram de casamentos felizes e que resistem a um recomeço. Costurado pelos devires do cotidiano, os problemas, o trabalho, a emoção, um cachorro sem dono, os vizinhos novos, a vida e a morte, o roteiro de Mark Andrus desenha um mapa grandioso da vida de todos nós e traz identificação ao espectador.

Diane Keaton e Michael Douglas estão impagáveis em suas atuações, numa harmonia que faz história deslizar nas quase duas horas de película. Diane ainda empresta sua voz às músicas “It Could Happen to you”; ”Cheek to Cheek”; “Blue Moon”; “Sometimes to talk about” e “The shadow of your smile” num show à parte. O diretor Rob Reiner de “Conta Comigo” (1986) e “O primeiro amor” (2010),premiadíssimo ao longo de sua carreira como produtor, ator, roteirista e diretor, é um  especialista em falar de relações com o outro, seja de amizade, familiar ou de amantes. E repete uma fórmula comum que dá certo, como em “Melhor é impossível” de James Brooks, em relação à dança da conquista, ao elenco de peso,à trilha sonora, que também é de arrebentar e no roteiro, em que um ranzinza sessentão redescobre a vida.“And so it goes” (no original) apresenta frescor e graça com humor e filosofia cotidiana, na qual se ri e se chora (se for o caso) e que insinua que o amor não tem idade. Belíssimo.

Avaliação Sonia Rocha

Nota 4