Um Reencontro

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22 de julho de 2015

Será que Tom Jobim tinha mesmo razão quando afirmou que “é impossível ser feliz sozinho”? No filme francês “Um Reencontro”, de Lisa Azuelos, a personagem Elsa (Sophie Marceau) parece comungar da mesma opinião do compositor. Escritora de sucesso, mãe de adolescentes, mas divorciada, ela sente que tem tudo de melhor que a ascensão profissional foi capaz de oferecer. No entanto, essa equação da felicidade ainda carece de uma parte essencial ― um grande amor, alguém com quem dividir as alegrias que a vida deu. O filme vai direto ao ponto logo no início: no evento de comemoração do lançamento de seu livro, “Amor Quântico”, Elsa conhece Pierre (François Cluzet), um importante advogado da área criminal, por conta de uma amizade que ambos têm em comum. O interesse que um sente pelo outro é imediato; porém, como nem tudo é perfeito, o parceiro ideal é comprometido em um casamento que já dura bons e felizes anos.

Sob o olhar feminino de Lisa Azuelos, que interpreta o papel da esposa de Pierre, “Um Reencontro” abusa da criatividade narrativa em seus econômicos minutos de projeção. O primeiro encontro de Pierre e Elsa é pluralizado em outras ocasiões nos quais seus destinos voltam a se cruzar. Dentro desse contexto, a diretora abre espaço para sequências cuja aparente realidade dos acontecimentos é desmantelada pela imaginação dos personagens apaixonados. O resultado disso é a participação mais ativa do espectador, atento ao rumo do romance. A atitude de Pierre diante da paixão inesperada traz à tona um importante questionamento: até que ponto é possível apaixonar-se por alguém, mesmo amando outra pessoa? Pierre tem uma convivência de completa harmonia com a família, mas mesmo assim, Elsa desperta nele a consciência de que algo, particularmente quente, lhe falta. A resistência dos dois à ideia de traição ― ele parece lutar para permanecer fiel ao casamento e ela diz respeitar demais as mulheres para ficar com o homem de outra ― ganha contornos mais complexos quando a cineasta recusa fechar seu filme de modo definitivo, mudando a percepção do público de tudo que havia sido mostrado até então. Desta forma, Lisa Azuelos torna válida a idealização do amor em um namoro envolto no véu do mistério, onde nada é o que parece ser.

Avaliação Emmanuela Oliveira

Nota 4