X-men – Dias de Um Futuro Esquecido

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12 de dezembro de 2014

“X-men” é uma série que deu certo, na maior parte de seus episódios, mesmo não sendo fidedigno a quase nada dos quadrinhos! Afinal, características inerentes à HQ seriam na teoria incompatíveis com propriedades cinematográficas palatáveis para o grande público: como transbordamento de personagens, tramas megalômanas e interligadas, caracterizações caricaturais (de uniformes a cabelos e apetrechos), além de mortes/ressuscitações, viagens no tempo e etc… Tudo para dar um nó na cabeça da plateia leiga!

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Aliás, o presente crítico e entendedor/fã foi cético à sessão de imprensa para “X-men – Dias de Um Futuro Esquecido” (“X-men – Days of Future Past”, 2014), não só por ser praticamente a adaptação de saga mais unânime dos mutantes (realizada pela célebre dupla Chris Claremont e John Byrne), mas como também porque já foram 6 episódios (contando os 2 solos do Wolverine), alguns mais bem sucedidos do que outros, e nos quais se fez uma boa bagunça de nomes, mortes e vai e vens no tempo. Sem falar que o mais aclamado e recente deles, o reboot Primeira Classe contava o início do grupo e da amizade dos rivais Professor Xavier e Magneto em plena década de 70 (repleto de atores oscarizados, como o brilhante Michael Fassbender, o intenso James McCavoy e a gatinha Jennifer Lawrence). O que fazer então quando anunciaram que o novo exemplar traria o elenco da trilogia inicial, num futuro apocalíptico dominado por robôs invencíveis, além do elenco mais novo na década de 70, que estaria destinado a tentar impedir o fato gerador no tempo antes daquele fatídico destino?!

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Parece difícil de conceber, certo? Ainda mais se acrescentarmos a dicotomia entre a teoria metafísica de que o passado não pode ser mudado, versus o contra argumento de que qualquer alteração já criaria um leque de dimensões paralelas… Pois é aí que o filme não só acerta em cheio, como ainda por cima adquire um efeito detergente, com mil homenagens à toda série e limpando TODOS os erros cometidos no caminho (fãs ou sentirão a alma lavada ou os mais xiitas ainda podem chiar).

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Eis que o diretor original dos 2 excelentes primeiros,Bryan Singer (o qual continuou apenas como produtor nos outros), realizou 2 filmes coexistindo dentro de um só: um futurístico, meio canastra e raso, de roupas exageradas, mas compensado pelo pessimismo fatalista, aludindo ao campo de concentração nazista que serve de prelúdio tanto para X-men 1 quanto para o Primeira Classe; Além de um filme cheio de bossa, de época, com roupas e piadas políticas setentistas (as com JFK são as melhores!), onde os mutantes ainda descobriam seus efeitos no mundo e mal imaginavam que sua má fama poderia criar uma caça às bruxas. Assim, as personagens mais trabalhadas da série, como Xavier (Patrick Stewartmais velho e McCavoy mais novo, dando um show de paralelismo), o vilão Magneto (Ian McKellen mais velho eFassbender mais novo) e Wolverine (Hugh Jackman), conseguem fechar a trama bem redondinha centrada espertamente na carismática Mística (Jennifer Lawrence), enquanto que os coadjuvantes estão lá para algumas grandes cenas (preparem-se para surpresas, melhor encaixadas/justificadas que as besteiras do X-men 3, de Brett Retner).

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Enfim, uma película equilibrada, que segura a tensão do princípio até o último segundo, fazendo o espectador se importar e evoluir com os personagens dúbios (os sentimentos vão cambiando em relação aos heróis e vilões – vide ótima cena no avião quando Magneto inverte a mesa de vítima contra um Xavier afogado em autopiedade), não obstante acrescentar personagem que rouba a cena, o Mercúrio (Evan Peters), cujo nome não pôde ser utilizado por disputa contratual com a Marvel Studios, que usará a mesma personagem nosVingadores 2 – Ainda levando para outro patamar as cenas de ação, revisadas de tudo o que deu certo nos predecessores, como a invasão à Casa Branca, o ataque interno ao esconderijo dos Heróis, a fuga da prisão de Magneto, as lutas contorcionistas de Mística, traições e lealdades postas à prova e etc…

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E como bônus o fato de o vilão, Bolivar Trask, ter sido escalado, como toque de mestre, na pele do ator anãoPeter Dinklage (aumentando ainda mais o contraste de um cientista humano, sem poderes, ter genialidade e preconceito ao diferente como ameaças maiores do que qualquer Fênix…!), o que arregimentará ainda os fãs deGames of Thrones a ver seu ídolo intérprete de Tyrion Lannister nas telonas!

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PS: Para os fãs, chovem detalhes escondidos para valer o repeteco. E no final dos créditos há cena extra sobre o 3º filme desta nova série (oitavo no total), focado em En Sabah Nur, ou… será que A Era do Apocalipse está vindo por aí?

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PS2: Mesmo quem nunca assistiu aos anteriores, poderá se divertir com esta nova película, porém aproveitará melhor se AO MENOS assistiu antes ao Primeira Classe(que continua o mais bem acabado para os leigos).

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PS3: (SPOILERS) Análise pós sessão: xiitas irão chiar com certas liberdades artísticas, como dizer que os poderes de Mística poderiam ter gerado a capacidade dos sentinelas/ninrods de copiar poderes, pois Mística só pode mudar a aparência, porém não copia poderes (apesar de uma frase dita por Bolívar explicar que a mutação dela apenas abriu portas para a pesquisa dele na origem da mutação); também com Kitty Pryde ter desenvolvido poderes de viagem no tempo (mas convenhamos, se ela atravessa o espaço…, por que não o espaço-tempo…rs? E o lado bom foi ao menos sua personagem ter sido lembrada, já que nos quadrinhos ela é essencial na saga); Outras discrepâncias estão em que o futuro que eles alegam ter sido gerado pela captura de Mística e lançamento dos robôs mudaria TODO o curso dos primeiros filmes da série, mas, convenhamos, se aceitarmos a teoria de realidades alternativas, então não muda tanto assim. Assim como a amizade de infância, quase irmãos, de Mística e Xavier criada em Primeira Classe, mas que não se encaixa na trilogia original…(se bem que o conhecimento absurdo da Mansão X que Mística demonstra no 1º X-men até se encaixaria aí…). Convenhamos, a única coisa que continua se encaixando em TODOS os filmes é a relação de Wolverine com o vilão William Stryker, rsrs.

 

Avaliação Filippo Pitanga

Nota 4